Buraco Negro Central e Sua Influência na Formação Estelar

As galáxias espirais têm estrelas mais jovens que as galáxias elípticas. Essas últimas tiveram um surto de formação estelar na época de sua formação e não há muito gás restante atualmente para formar estrelas novas. Já as espirais possuem intensa formação estelar em seus braços. Quando se trata de galáxias, uma cor mais avermelhada indica que suas estrelas são mais antigas que as de uma galáxia mais azulada.

E um grupo de astrônomos liderados por Asa Bluck, da Universidade de Victória, no Canadá, encontrou uma relação entre a cor da galáxia e a massa de seu bojo, que está também relacionada com a massa do buraco negro central que deve existir na grande maioria das galáxias. Isso levou os astrônomos a pensar que pode haver uma relação entre a massa do buraco negro central e a idade das estrelas de uma galáxia.

Quanto mais massivo é um buraco negro, mais energia ele libera em jatos de matéria e radiação de raios-X. Isso pode dissipar e esquentar o gás ao seu redor, impedindo a formação de novas estrelas.

Poucas das 500 mil galáxias estudadas, ordenadas de baixo paa cima em ordem crescente de massa de suas estrelas e da esquerda para direita em ordem crescente de razão entre a massa do bojo e a massa total da galáxia (bulge-to-mass ratio).
Poucas das 500 mil galáxias estudadas (Crédito: adaptada da RAS)

Na imagem acima aparecem algumas poucas galáxias do conjunto de 500 mil estudadas por Bluck e seu time. Estão ordenadas de baixo para cima em ordem crescente da massa de suas estrelas e da esquerda para direita em ordem crescente da chamada bulge-to-mass ratio, razão entre a massa do bojo e a massa total da galáxia. Os bojos proporcionalmente mais massivos possuem também os buracos negros mais massivos que liberam mais energia ao seu redor. Perceba que essas (acima e à direita) são também a galáxias mais avermelhadas.

O estudo foi feito com dados de 500 mil galáxias do Sloan Digital Sky Survey, e publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Em resumo, a conclusão é que os dados parecem mostrar que grandes buracos negros podem dar um fim à formação estelar. O curioso é que para se ter formação estelar é necessária uma perturbação gravitacional, como a explosão de uma supernova… mas muita perturbação simplesmente torna o processo impossível.

Isso me lembra que trabalhar com uma música de fundo pode ser muito agradável, mas trabalhar no meio de uma balada pode ser bem complicado.

Leia Mais:

Release no site da Royal Astronomical Society (RAS) (em inglês): http://www.ras.org.uk/news-and-press/news-archive/254-news-2014/2436-red-stars-and-big-bulges-how-black-holes-shape-galaxies

Autor: Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

5 pensamentos em “Buraco Negro Central e Sua Influência na Formação Estelar”

  1. Se alimentar um buraco negro com hidrogênio constantemente algum momento podemos reviver a estrela?.

    Ou após a singularidade ocorrer não importa o quanto de combustível a mais colocamos que ele não vai mais acender?

    1. Na singularidade não há a possibilidade de haver um processo físico como a fusão nuclear. Não importa a quantidade ou o tipo de material que se coloque, não é possível trazer uma estrela de volta depois que ela gera um buraco negro.

  2. Meus parabéns por toda a dedicação em trazer informações tão complexas de forma tão compreensível.

    1. Muito obrigado pelo carinho, Adriano. Receber esse retorno, indicando que você e outras pessoas que curtem o assunto estão aí, é o melhor combustível.

      Forte Abraço!

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