O consenso científico atual sobre a origem da água na Terra é que ela tenha sido trazida por cometas. A água detectada na Lua, congelada em áreas de permanente sobra no fundo de algumas crateras e aprisionada em minerais, poderia ter a mesma origem. Mas uma recente e ainda bastante questionável pesquisa sugere outra coisa.

Lua
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Cientistas estudaram a proporção de deutério em relação ao hidrogênio regular em pequenas porções de vidro vulcânico aprisionados em cristais (o termo utilizado na geologia para isso é melt inclusion) encontrados em rochas lunares trazidas pelas missões Apollo 15 e Apollo 17. Deutério é um átomo idêntico ao átomo de hidrogênio mas com um nêutron a mais, e moléculas originadas em diferentes regiões do Sistema Solar tem diferentes proporções de deutério.

As rochas trazidas da Lua são formadas por magma e trazem material vindo do interior do satélite há aproximadamente 3,7 bilhões de anos. O estudo indica que a proporção de deutério encontrada na água vinda do interior da Lua é idêntica àquela encontrada em asteroides condrictos carbonáceos, e semelhante à  da água do interior terrestre. Cometas tem uma proporção maior de deutério.

Como um dos autores do estudo, Erik Hauri, disse, “as medidas foram muito difíceis”. Apenas agora foi possível identificar e determinar a quantidade de deutério nesse material trazido da Lua há mais de 40 anos, então, ainda são necessário mais estudos.

Vários melt inclusions em um cristal. A seta aponta um exemplo mas existem vários outros nessa figura (Foto de A. Kent, de Oregon State University)
Vários melt inclusions em um cristal. A seta aponta um exemplo mas existem vários outros nessa figura (Foto de A. Kent, de Oregon State University)

Outro autor do trabalho disse que “a mais simples explicação para o que encontramos é que havia água na proto-Terra quando houve o impacto gigante.”. O impacto gigante à que ele se refere é o impacto que teria arrancado o material da proto-Terra (Terra ainda em formação) que daria origem à Lua. Ótimo, realmente faz sentido, mas o próprio Saal reconhece que é difícil explicar como a água teria sobrevivido ao impacto: “O impacto de alguma forma não causou a perda total da água, mas não sabemos que processo teria sido esse.”

Essa coisa de procurar encontrar “a mais simples explicação” é uma tendência científica a extrapolar o que ficou conhecido como Navalha de Occam. Em minha opinião, a navalha de Occam deveria vir com um rótulo escrito “Use com Moderação”.

Para Ler Mais:

Artigo Científico na Revista Science (em inglês): http://www.sciencemag.org/content/early/2013/05/08/science.1235142.abstract

Site da Browns University (em inglês): http://news.brown.edu/pressreleases/2013/05/moonwater

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

2 respostas em “Água no Interior da Lua e da Terra Pode Ter Vindo de Asteroides, Não de Cometas”

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