O Espectro Eletromagnético nos mostra as possibilidades de emissões de radiação eletromagnética que temos na natureza. Uma parte do espectro eletromagnético, chamada faixa do visível, pode ser captada por nossos olhos e é composta por toda a luz que podemos enxergar. Mas, uma enorme porção só pode ser captada por equipamentos especiais, como as faixas do ultravioleta, raiox-X, micro-ondas, etc.

Concepção Artística da sonda Voyager.

A sonda Voyager, o único objeto construído pelo homem que cruzou os limites do Sistema Solar, captou um tipo de radiação que produz as linhas de Lyman-alfa, que estão na região do ultravioleta do espectro eletromagnético. Essa radiação é gerada por átomos hidrogênio, o elemento químico mais abundante do Universo, e está associada a regiões de formação estelar. Elas já foram observadas em galáxias distantes, mas, agora, nossa distantes e solitária viajante espacial Voyager, nos mostra essa emissão sendo captada aqui dentro da Via-Láctea.

Se você mora em uma cidade grande, ou já visitou alguma, deve ter percebido que o fundo do céu noturno não é totalmente negro nessas regiões, como na noite do campo. O céu da cidade é mais claro porque as luzes iluminam poeira na atmosfera e nos impede de ver nebulosas, cometas e estrelas pouco brilhantes. Da mesma forma, o hidrogênio presente na atmosfera do Sol produz um efeito de ofuscamento que nos impedia de observar essas linhas produzidas aqui por perto.

As linhas Lyman-alfa, ou Lyman-\alpha, vindas de galáxia distantes eram observadas devido ao efeito Doppler, uma consequência das velocidades dessas galáxias. O efeito Doppler faz com que as Lyman-alfa sejam recebidas aqui ligeiramente deslocadas no espectro. Dessa forma, não se confundiam com as emissões ofuscantes em nossa vizinhança.

Posição aproximada das linhas Lyman-alpha no espectro eletromagnético.

As sondas Voyager lançadas no fim da década de 1977 são verdadeiros tesouros tecnológicos. Além de estarem fazendo muito mais do que aquilo para o quê foram planejadas, estudar os planetas exteriores, elas são um sinal humano sendo levado cada vez mais distante no espaço. Bem mais distante que as pegadas que já deixamos na Lua.

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Link para o resumo do artigo científico (em inglês):

http://www.sciencemag.org/content/early/2011/11/30/science.1197340

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

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