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Impacto, representação artística. (Fonte: Dinosaur Facts)

Cometas e asteroides são corpos que carregam importantes dados sobre a composição química do material que deu origem ao Sistema Solar. A preservação dessa informação foi possível porque esses astros errantes não sofreram alterações geológicas bruscas em seu interior desde que se formaram, como aquecimento do núcleo, terremotos ou atividades vulcânicas. Cometas se formaram nas regiões frias mais externas do nosso sistema planetário, enquanto a maior parte dos asteróides se formou numa região mais quente, entre Marte e Júpiter.

Além do interesse científico, a observação de cometas e asteroides é uma questão de segurança, assim como o monitoramento das atividades sísmicas em nosso planeta. Apesar de as chances de um desses objetos entrar em rota de colisão com a Terra serem muito pequenas, existe um trabalho internacional que visa prevenir o planeta de um possível impacto, o que poderia gerar uma catástrofe global, como a que dizimou os dinossauros.

Os NEOs (sigla do inglês Near Earth Objects) são objetos que se aproximam do Sol a uma distância de 1,3 unidades astronômicas ou menos (unidade astronômica é a distância média entre Terra e Sol, aproximadamente 150 milhões de quilômetros). Em escala astronômica, se um cometa ou asteroide de tamanho considerável está perto do Sol, então, está também perto da Terra. Os NEOs com mais de 150 metros de diâmetro e que chegam a distâncias inferiores a cerca de 7 milhões e 500 mil quilômetros do Sol, são classificados como objetos potencialmente perigosos.

Na tentativa de proteger o planeta, criou-se a Spaceguard Foundation, que coordena os esforços mundiais para detectar e estudar NEOs. Dentre esses esforços estão os da B612 Foundation – isso mesmo, B612 era o asteroide fictício onde vivia “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry – e os do Near Earth Object Program (Programa Objeto Próximo à Terra) da Agência Espacial Americana (NASA).

Depois de encontrado, o NEO é observado constantemente para que as previsões de sua trajetória sejam refinadas. No caso de uma situação de emergência, a melhor opção seria alterar a trajetória do objeto ameaçador, e muitas ideias existem para se realizar essa tarefa. Podemos, por exemplo, fixar na superfície do NEO uma nave que o empurraria lentamente, ou uma superfície refletora que seria empurrada pela pressão gerada por partículas constantemente emitidas pelo Sol – o vento solar. Podemos, também, provocar explosões em pontos específicos para alterar a órbita do NEO.

Fazer com que um NEO seja empurrado por algo preso à sua superfície pode não ser tão simples como parece. Muitos desses corpos possuem rotação rápida e com variação brusca da inclinação do eixo, e algo preso à sua superfície acompanharia esses movimentos. Além disso, seria necessário se conhecer bem sua composição e constituição da superfície. Os resultados de explosões podem não ser fáceis de se prever. Pensando nisso, dois astronautas sugeriram uma espécie de guincho gravitacional, uma nave que se aproximaria do NEO e o atrairia gravitacionalmente, mudando sua órbita.

Assim, temos hoje um monitoramento constante do espaço próximo à Terra, porque todas as medidas de segurança só funcionariam se o perigo for detectado com antecedência de alguns anos, décadas de preferência. Ainda que as chances de colisão sejam pequenas, a prevenção é sempre uma boa idéia. Os dinossauros que o digam.

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

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