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Escala do Sistema Solar

Relembrando o Sol

Esse texto foi escrito por ocasião da abertura dos jogos Pan-americanos, acontecidos na cidade do Rio de Janeiro, em 2007

Sol, em ultravioleta. Imagem da sonda SOHO
Sol, em ultravioleta. Imagem da sonda SOHO

Estamos na época da abertura dos Jogos Pan-americanos que serão realizados na cidade do Rio de Janeiro. Como mascote desse importante evento esportivo que reúne países do continente americano, foi criada uma simpática figurinha que personifica o Sol. E esse sorridente personagem tem tomado conta da cidade, estampado em ônibus, camisetas, outdoors e outras mídias visuais. Seu nome, Cauê, foi escolhido através de uma votação da qual participaram mais de um milhão de pessoas.

Podemos aproveitar a presença de Cauê e relembrar algumas coisas que sabemos sobre o Sol. Em primeiro lugar, o Sol é uma estrela. Não é nem a maior, nem a mais quente estrela que conhecemos. Mas é a mais próxima. Por isso, parece tão mais brilhante e tão maior que as estrelas que vemos no céu noturno. A distância que nos separa do Sol, meros 150 milhões de quilômetros, parece ínfima se comparada com a distância da segunda estrela mais próxima de nós, que se encontra a mais de duzentas e setenta mil vezes essa distância, na constelação do Centauro.

Sua superfície, conhecida como fotosfera, tem temperatura de cerca de seis mil graus. Geralmente podemos observar manchas na fotosfera, causadas por material que aflora à superfície. Esse material chega a uma temperatura um pouco mais baixa, cerca de cinco mil graus, e a diferença térmica entre esse material e o material ao redor, mais quente, provoca o efeito visual de manchas na superfície solar. As manchas solares estão associadas à intensa atividade magnética.

Acima da fotosfera há uma região conhecida como coroa solar, mais quente que a superfície onde encontramos temperaturas da ordem de um milhão de graus. Não sabemos exatamente como a coroa recebe energia para esse aquecimento todo. Vários mecanismos são discutidos, e uma das melhores explicações talvez seja dada pelas chamadas Ondas de Alfvén.

É no núcleo do Sol que acontecem as reações de fusão nuclear, onde temos a geração da energia que é transportada até sua superfície e liberada para o espaço, chegando até nós. No núcleo temos uma temperatura de mais de treze milhões de graus.

Sabemos que o Sol é fundamental à vida, e que sem ele não estaríamos aqui escrevendo e lendo sobre Astronomia. Mas não é a toda radiação emitida pelo Sol que podemos nos expor. As roupas dos astronautas têm, entre outras, a finalidade de proteger o astronauta de radiações nocivas emitidas pelo Sol. A radiação ultravioleta é uma dessas vilãs mais famosas, e é filtrada em nossa atmosfera pela camada de ozônio.

Nunca é demais lembrar que nunca devemos observar o Sol sem a proteção de um filtro especial, ou o auxílio de alguma técnica de projeção de sua imagem. O preço de expor a retina diretamente aos raios solares são danos irreparáveis à visão.

Mesmo sem olhar diretamente para o Sol, nos lembraremos muito dele nesses dias. Teremos o cativante Cauê em diversas imagens distribuídas pela cidade, representando com seu sorriso a simpatia carioca com a qual receberemos atletas e fãs de esportes para a celebração dos Jogos Pan-americanos

Uma versão resumida desse texto foi publicada em julho de 2007 no folder e site da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro

Por Leandro L S Guedes

Astrônomo, Diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, Msc., Dr., Astrofísica Extragaláctica, História e Filosofia da Ciência.