Título em Português: Perdido em Marte
Título Original: The Martian
Diretor: Ridley Scott
Com: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig

Um excelente filme onde, mais uma vez, Matt Damon precisa ser resgatado, como o foi no Resgate do Soldado Ryan e em Interestellar. O cara dá trabalho para os amigos…

SEM SPOILER – Se você não viu o filme, leia tranquilo.

perido-em-marte-cartazUma equipe de astronautas em operação na superfície de Marte é surpreendida por um tempestade de areia precisa abortar a missão. Isso significa abandonar o planeta para retornar ao veículo que ficou orbitando o planeta enquanto a equipe trabalhava na superfície. No processo evacuação, um astronauta é atingido por uma antena de comunicação que se desprende devido a tempestade e é dado como morto pelo restante da equipe.

O filme aborda questões técnicas dos atuais projetos de missão tripulada à Marte de maneira impecável. As missões consistirão de um veículo espacial, chamado Hermes no filme, que levará consigo uma tripulação que chegará à superfície do planeta em um VDM, ou veículo de descida em Marte. Para o retorno, a tripulação embarca num VAM, veículo de ascensão de Marte, que se acopla ao veículo  espacial que ficou orbitando o planeta, e todos voltam para a Terra. Os VAM’s chegariam em Marte (segundo como as missões são planejadas hoje) antes da missão tripulada.

O filma faz referências às últimas missões não tripuladas, da era da exploração espacial de baixo custo que começou com a Pathfinder em meados da década de 1990. E também mostra de forma interessante como funcionam os interesses políticos e as relações humanas dentro de uma instituição como a NASA, onde há pessoas interessadas na ciência, outras interessadas exclusivamente na imagem da instituição e os conflitos que podem surgir disso. O filme em momento algum é a história de apenas uma pessoa.

É, de certa forma, uma versão interplanetária de Robinson Crusoé, que já foi modernizada também no filme O Náufrago, protagonizado por Tom Hanks. A semelhança entre essas histórias é que mostram o que um homem com determinação, movido por algo em que acredito é capaz.

É a história de um homem dado como morto, que fica sozinho em outro planeta, mas não é, por isso, uma história pesada. Há uma mistura inusitada do clima da situação com o bom humor do personagem principal e com uma trilha sonora de discoteca dos anos 1970, que tem uma razão de ser no filme.

Destacando algumas licenças poéticas e um erro que peguei no filme…

SPOILER FRACO – Ok, aqui vou descrever e analisar algumas cenas, mas espero não contar nada que comprometa as surpresas do filme…

Achei que as nuvens que aparecem no filme são exageradas. Há nuvens em Marte mas numa quantidade muito menor do que aparece em algumas cenas, me parece. Não gostei da cena em que um astronauta caminha por fora do veículo Hermes completamente solto. Esse tipo de manobra, até hoje feita fora dos antigos ônibus espacias e da Estação Espacial Internacional, requer que o astronauta esteja preso, por um cabo ou uma fita com mosquetão. Os saltos dados pelo astronauta completamente solto fora do veículo não seriam jamais aceitáveis dentro do protocolo de manobras permitidas em uma viagem espacial.

Há um erro no filme quando Matt Damon, ou melhor, seu personagem o astronauta Mark Watney, faz o primeiro registro gravado de sua situação. Analisando os riscos aos quais está submetido, ele diz que caso o HAB, abrigo que era usado pela equipe para operar na superfície de Marte, se romper, ele “implodiria”. Na verdade, ele “EXPLODIRIA”, porque a pressão fora da proteção do abrigo é menor do que dentro, que está adaptada à pressão de seu corpo. Assim, sua pressão interna, maior, o faria explodir se fosse exposto à pressão da atmosfera marciana, menor que a de seu corpo. Assisti ao filme duas vezes para ter certeza que não havia sido problema de tradução para a da legenda, mas não foi. O trabalho de tradução foi , aliás, impecável, nesse caso houve erro do filme mesmo.

Vale a pena assitir!