Esse texto foi publicado originalmente em setembro de 2006 na Curiosidade do Mês no folder e site da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro. Foi republicado aqui como registro histórico do momento, e da sugestão para observação de eclipses solares de maneira geral.

No dia 22 desse mês, algumas regiões da Terra vão observar um eclipse anular do Sol. Nesse belíssimo fenômeno celeste, a Lua se superpõe ao Sol de maneira a observarmos o disco escuro de nosso satélite envolvido por um aro brilhante.

No Brasil, não observaremos um eclipse anular, mas um eclipse parcial do Sol. No Rio de Janeiro, veremos cerca de 40% do disco de nossa estrela encobertos pela Lua. O eclipse começa às 6h38, atinge seu máximo às 7h45 e termina às 9h02. Em hipótese alguma olhe diretamente para o Sol, nem utilize filmes fotográficos velados ou radiografias. Para observarmos o Sol com segurança, devemos recorrer a filtros ou equipamentos especiais. Um filtro seguro é filtro de soldador número 14, relativamente fácil de ser encontrado em lojas de material de construção.

O esquema abaixo mostra o funcionamento de um equipamento baseado no princípio de câmara escura, que permite a observação do Sol por vários espectadores ao mesmo tempo. Trata-se de um espelho coberto por uma superfície opaca, que pode ser uma cartolina ou uma folha adesiva escuras, onde fazemos um pequeno furo de dois a quatro milímetros. Apenas esse furo deve refletir alguma luz.

Posicione o espelho de modo que reflita a imagem do Sol em uma parede ou anteparo a cerca de cinco metros de distância. Você terá que aproximar ou afastar o espelho do anteparo para que a imagem se forme com nitidez. Lembre-se, também, de que o Sol se descola no céu como conseqüência da rotação da Terra, então você precisará mexer ligeiramente na posição do espelho algumas vezes durante a observação. Os resultados são melhores se a projeção for feita em um ambiente com pouca luz, como uma sala, ou mesmo nos fundos de uma caixa.

Só poderemos observar o eclipse se tivermos a manhã do dia 22 de setembro sem céu nublado. Os leitores que tiverem alguma dúvida quanto a esse método de observação solar sintam-se estimulados para escrever: leandro.guedes@planetario.rio.rj.gov.br. Escrevam também para compartilhar seus resultados.
Bom eclipse, e céu limpo para todos!

Esquema de observação do Sol e de eclipses solares.
Esquema de observação do Sol e de eclipses solares.

Uma versão resumida desse texto foi publicada em setembro de 2006 na Curiosidade do Mês no folder e site da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro.

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

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