Titulo em português: O Nome da Rosa
Título Original: The Name of the Rose
Diretor: Jean-Jaques Annaud
Com: Sean Connery, Christian Slater, Michael Lonsdale, Ron Perlman, F. Murray Abraham

O filme é baseado no livro de mesmo nome, escrito pelo italiano Umberto Eco. O autor é pesquisador de semiótica, filósofo e critico literário.

O Nome da Rosa é um livro que me arrependo de não ter lido antes de assistir o filme. A obra cinematográfica é tão rica em informações e contém reconstruções tão bem feitas, que, certamente, o livro é fascinante.

O frei franciscano William de Baskerville (Sean Conery) e o jovem aspirante Adso de Melk (Christian Slater) vão a um monastério beneditino, na Itália medieval do ano de 1327, para participarem de um debate teológico. Quando chegam, o monastério está sob um clima de tensão devido ao suposto suicídio de um dos religiosos.

Outras mortes se seguem. William e seu pupilo Adso se mostram uma dupla de detetives bastante eficaz. As alusões ao imortal Sherlock Holmes, personagem criado por Conan Doyle, são várias. Logo no início, em uma conversa na encosta do lado de fora da abadia, William manda uma “Isso é elementar, meu caro Adso…”. E, mais óbvio ainda, é o sobrenome do franciscano, referência direta ao livro “O Cão dos Baskerville”, de Conan Doyle.

O que faz esse livro estar sendo comentado aqui é a excelente reconstrução da Idade média e as diversas referências científicas sobre questões que permeavam o clero. William de Baskerville leva em sua bagagem um astrolábio, uma ampulheta e outros instrumentos, mostrando que o personagem é um religioso medieval amante de ciência. isso era comum numa época em que a Igreja era praticamente a grande detentora do conhecimento, guardando livros e escolhendo o que a sociedade poderia ler e ter acesso. Baskerville se declara um amante do conhecimento e de Aristóteles, citando-o nominalmente em uma das cenas.

Jean-Jacques Annaud (Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/20/ANNAUD_Jean_Jacques-24×30-1998b.jpg)

Outro detalhe que mostra a presença da ciência entre os religiosos é uma esfera armilar que existe no laboratório do farmacêutico do monastério. Sem estragar surpresa nenhuma do filme, posso dizer que ela é usada como arma de um crime…

O filme mostra também conflitos dentro da Igreja. Há um debate muito interessante entre franciscanos e beneditinos. Mostra também os horrores da inquisição e a corrupção moral do inquisidor. O personagem de Sean Connery passou por problemas no passado, mantendo-se ético e enfrentando a imoralidade do mesmo inquisidor com quem se defronta no monastério.

Achei a direção de Jean-Jaques Annaud brilhante. O filme mostra um bom panorama da Idade Media com seus conflitos ente religião, conhecimento e corruptibilidade do espírito humano.

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

5 respostas em “O Nome da Rosa”

  1. Esse filme é realmente muito bom! Os diálogos e as retóricas são sensacionais. É logo no início do filme que o William tira os instrumentos astronômicos da bolsa e chega até a observar a lua com um deles.
    O filme é fiel ao livro, Leandro? É que ainda não cheguei a ler, o que é uma pena.

    1. Aurora, esse é um dos livros que eu ainda não li e estão na minha lista de urgência para leitura. Meu pai leu o livro logo quando foi lançado e disse que é sensacional. Do Humberto Eco, eu li “O Cemitério de Praga” e achei bem legal também.

      Bom, até hoje, sem exceção, comparando filmes baseados em livros com os próprios livros, achei esses últimos sempre mais interessantes, sem querer desmerecer os filmes. Nunca é possível passar em uma cena o que às vezes o autor demorou várias páginas descrevendo. A imagens das cenas dos livros são criadas diretamente por nossa mente, com todos os ingredientes particulares que temos e acho que isso também faz o livro ser mais íntimo que um filme, muitas vezes.

      Bjs!

      1. É verdade, livro chega a ser mais íntimo que um filme justamente por ativar nossa imaginação criadora.

        Não sei se acontece contigo, mas a minha lista de livros de urgência não para de crescer, daqui a pouco está do mesmo tamanho que a lista de livros não urgentes :p

  2. Esse filme é muito bom mesmo, eu lembro dele lá nos anos 80.
    E também está disponível no Youtube.
    Mas mudando um pouco de assunto, essa semana eu tive uma surpresa monumental.
    No dia 26 por volta das 15:00 eu, meu irmão e meu pai estávamos observando a Lua crescente, e de repente vimos uma pequena luz embaixo da Lua.
    Era Vênus, nunca imaginei que fosse possível observar algum planeta em plena luz do dia!!!

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