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O Bólido de Tcheliabinsk

Ainda bem que não estamos mais na Guerra Fria!

Com a derrocada do comunismo, no final do século passado, as tensões entre o ocidente e o oriente estão gradativamente diminuindo e o perigo de uma guerra nuclear encontra-se cada vez mais improvável. Mas, por que um astrônomo está comentando política internacional? Um ano atrás, na manhã de 15 de Fevereiro de 2013, em Tcheliabinsk, às 9h20min na hora local, 1h20min no horário de Brasília, um grande bólido foi visto e registrado por muitas pessoas com o auxílio de seus aparelhos celulares.

Há alguns anos escrevi uma série de artigos sobre meteoroides, meteoros e meteoritos, que estão publicados no site da Fundação Planetário e em diversos outros. Neles o leitor poderá encontrar explicações sucintas sobre suas origens, composições químicas, fenômenos associados, etc.

http://www.planetariodorio.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=319:queda-de-meteoritos-efeitos-imediatos

A intensidade do fenômeno em Tcheliabinsk foi tão grande que várias janelas estilhaçaram, causando ferimentos em aproximadamente 500 pessoas, sendo 22 em estado grave.

Uma coletânea de vídeos pode ser vista abaixo:

Apenas como comparação e guardadas as devidas proporções, a quebra de vidros por onda de choque foi observada no dia 1/7/2012, em Brasília, durante um ato de troca da Bandeira Nacional. Dois caças Mirage da Força Aérea Brasileira fizeram um sobrevoo rasante na Praça dos Três Poderes. A onda de choque arrebentou os vidros de parte das fachadas laterais e do fundo do Supremo Tribunal Federal, alarmes de carros dispararam e muitas pessoas relataram uma sensação de medo.

A grande novidade no bólido de Tcheliabinsk foi ter ocorrido sobre uma área habitável (lembremos que o planeta é quase 75% coberto por água) e graças à facilidade de ser ter uma câmera de qualidade com quase todas as pessoas (o número de celulares com câmera é enorme) o seu registro foi imediatamente dispersado pela Rede Mundial de Computadores.

Em 30 de junho de 1908, em Tunguska, na Sibéria, um fenômeno semelhante aconteceu. Porém, por ser uma região inóspita, não existe registro fotográfico, apenas relatos de moradores distantes e relatórios de uma expedição científica realizada 19 anos depois. Mais detalhes sobre Tunguska poderá ser lida em:

http://planetariodorio.com.br/index.php?option=com_k2&view=item&id=283:tugunska-90-anos-de-um-mistério&Itemid=291

Agora o leitor pode estar se perguntando: O que tem a Guerra Fria com o bólido de Tcheliabinsk? Respondo: o vice-presidente da DUMA, equivalente à nossa Câmara dos Deputados, afirmou e depois foi desmentido pelo Ministério para Assuntos de Emergência, que o fenômeno tratava-se de um teste militar norte-americano que visava avariar a maior planta de produção de combustível nuclear da Rússia.

­­Ainda bem que o mundo está mudado e paranoias podem ser desfeitas apenas com imagens da Internet ou correríamos o risco de destruição da humanidade, não por um objeto impactando com a Terra mas por uma guerra nuclear.

Foto do Bólido de Tcheliabinsk, em 15/02/2013.
Foto do Bólido de Tcheliabinsk, em 15/02/2013.

2 respostas em “O Bólido de Tcheliabinsk”

Esse bólido de Tcheliabinsk me fez recordar um fenômeno que presenciei em 1978, assistido ainda por centenas de outras pessoas no nosso país, e que teve uma boa repercussão na mídia da época.
Madrugada de 12 de março de 1978, 1h 20min. Um conjunto luminoso cruzou os céus, medindo cerca de uns 30 graus de abertura, e sendo formado por três pontos brancos, à frente, cada qual com brilho superior ao de uma estrela de primeira grandeza, e seguido por um “rastro com fagulhas” ou traços luminosos brancos, amarelos e alaranjados, nessa gradação. No local onde eu me encontrava, na Barra da Tijuca, Rio, pude constatar que esse mesmo corpo atravessou o céu na direção norte-sul por cerca de um minuto e meio, no mais absoluto silêncio. Os diversos pontos e traços da “cauda” mantinham uma distância constante entre si, sem movimento relativo, como o fogo cristalizado de um buscapé, em translação. O fenômeno foi observado, no Brasil, num quadrilátero com vértices em Manaus, Santarém, São Paulo e Campos (RJ), medindo 2500 km de comprimento por cerca de 500 km de largura. Considerando principalmente a largura dessa “faixa observável”, e também a velocidade de deslocamento dos objetos, pode-se estimar que sua trajetória deve ter ocorrido a uma altura aproximada entre 100 e 200 km. No dia seguinte, os jornais noticiaram vários e disparatados depoimentos de testemunhas que afirmaram ter presenciado fenômenos atmosféricos, esquadrilha de discos voadores, invasão espacial, etc. Entretanto, a explicação mais natural seria que um pequeno asteróide ou meteoro, em entrada rasante na atmosfera, teria se fragmentado a grande altura. Os pedaços maiores, incandescentes e de cor branca, teriam entrado então em órbita na direção norte-sul, acompanhados pelos fragmentos menores, formando um rastro com traços luminosos, tendo se constituído num fenômeno notável pela sua magnitude e pela extensão em que foi observado.

Olá Jorge;
Gostei muito do seu artigo, porém gostaria de fazer um pequeno adendo.
Na Russia muitos carros possuem câmeras de vídeo porque o país vive uma
epidemia de golpistas.
As pessoas provocam acidentes de carro, jogam a culpa no outro motorista e tentam ganhar o dinheiro do seguro.
Então como mencionei acima, as câmeras se fazem presentes.
Pra nossa sorte e felicidade as câmeras registraram o ocorrido.

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