Pousou em Marte o Curiosity, o mais novo robô enviado pelos Estados Unidos ao planeta vermelho. Diferente dos últimos simpáticos robozinhos Spirity e Opportunity, pequenos, de baixo custo e que pousaram quicando na superfície marciana, o Curiosity tem o tamanho de um automóvel, custou aproximadamente de 2,6 bilhões de dólares (cerca de cinco bilhões de Reais) e teve um complexo sistema de pouso.

Concepção artística do robô Curiosity em solo marciano. (Fonte)

Curiosity chegou até Marte como parte integrante da missão Mars Science Laboratory (Laboratório Científico de marte). Acomodado em um compartimento protegido por um escudo térmico, que furou a atmosfera de Marte, o Curiosity foi içado por um guindaste voador, que suavemente o colocou sobre a superfície enferrujada da Cratera Gale. Depois de deixar o veiculo em solo, com a liberação dos cabos que o prendiam ao Curiositiy, o guindaste foi arremessado por seus próprios retrofoguetes para, pelo menos, 150 metros de distância.

Devido ao tamanho e peso dos equipamentos, o pouso teve que ser uma operação mais complexa que nas últimas missões. Quando Curiosity tocou o solo, os relógios de Brasília marcavam duas horas, 14 minutos e 39 segundos da madrugada de 6 de agosto de 2012 (5h14m39s UTC, 06-ago-2012).

Esquema de descida do Curiosity em Marte. Pelo tamanho e peso dos equipamentos, o pouso foi uma operação mais complexa que nas últimas missões (Fonte)

O orbitador Mars Reconnaissance, que gira ao redor de Marte desde 2006, fotografou a entrada do Curiosity no planeta ainda com no estágio em que todo o conjunto caia com o paraquedas aberto. Essa foto é o resultado de uma missão humana observando outra missão humana!

Entrada do Curiosity em Marte, fotografada pelo orbitador Mars Reconnaissance.

O que mais se espera da missão é que ela possa fornecer dados que permitam concluir se, de fato, Marte já pode abrigar vida na passado. A Cratera Gale certamente já foi um lago, portanto, um excelente lugar para a vida ter se desenvolvido, caso isso tenha sido possível no passado. Se o Curiosity matar nossa curiosidade com um retumbante “SIM!!!!”, ou melhor, um retumbante “YES!!!!”, um outro passo será verificar se ainda existe vida por lá nos dias de hoje.

Nunca é demais lembrar que estamos falando de vida microscópica, ok? Nada de ET’s verdinhos com antenas, chupacabras ou civilizações que constroem pirâmides e esculpem macaquinhos nas pedras.

Me parece surpreendente que em meio a uma crise financeira global a agência espacial norte-americana, NASA (do inglês National Aeronautic and Space Administration) tenha conseguido executar uma missão para Marte tão mais caras que as anteriores. Muita exploração já foi feita com menos dinheiro envolvido.

Como o Curiosity tem em sua lista de objetivos a verificação das condições do planeta para receber a visita de humanos, pode ser que esteja voltando de verdade à mente dos norte-americanos o envio de missão tripulada ao Planeta Vermelho. Todos ficamos animados com o anúncio do projeto de enviar astronautas a Marte, mas a crise financeira desse início de século XXI atrapalhou tudo. Se os norte-americanos estão realmente voltando a pensar em mandar homens a Marte, o que justificaria gastar mais dinheiro nesse momento para explorar o planeta, pode ser que o desenvolvimento aeroespacial da China, comandado pela agencia espacial chinesa, CNSA (do inglês, Chinese National Space Administration), esteja servindo como estímulo provocado pela concorrência.

Foi com esse espírito de concorrência, durante a Guerra Fria, que o homem chegou à Lua.

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

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