As crateras da Lua são fáceis de serem identificadas com um simples binóculo. A Lua apresenta sua superfície coberta de crateras devido à ausência de atmosfera, que funciona como uma proteção contra impactos. A craterização da superfície é característica comum de corpos pequenos e sem atmosfera.

Mas existem asteroides ou cometas que conseguem vencer atmosferas densas e colidem com a superfície de planetas que têm uma atmosfera de densidade respeitável, como a Terra. Sim, temos diversas crateras de impacto na Terra.

As crateras na Terra são, em geral, disfarçadas devido a modificações naturais acumuladas ao longo do tempo. Aqui na Terra temos a ação de erosões por vento e chuva e o desenvolvimento de vegetação, por exemplo. Por isso, a identificação de crateras na Terra não é algo muito simples.

No Brasil temos algumas crateras bastante importantes. Começando pelo sul, temos o Cerro do Jarau, na cidade de Quaraí (RS). Tem aproximadamente 120 milhões de anos e cerca de 5,5 Km de diâmetro.

Cerro jarau

Cerro jarau

 

Um pouco acima, chegamos na Cratera do Vargeão, ou Domo Vargeão. Foi descoberta em 1978 através de imagens do projeto RADAMBRASIL, que produziu imagens de radar no território nacional entre 1970 e 1985. Estabelecida como cratera de impacto apenas na década de 1980, o Domo Vargeão localiza-se no município de mesmo nome em Santa Catarina. Com cerca de 12km de diâmetro, essa cratera tem idade máxima calculada em 70 milhões de anos.

Domo Vargeão

Domo Vargeão

Um pouco mais acima, no Paraná, temos a Cratera de Vista Alegre, descoberta apenas em 2004 por um engenheiro florestal, que comunicou seu achado a um pesquisador da Unicamp. A cratera está na localidade rural de Vista Alegre, no município de Coronel Vivida, tem cerca de 9,5km de diâmetro e sua idade máxima foi estimada em 65 milhões de anos. [Veja comentário de Lade abaixo]

Com esses dois exemplos, podemos perceber que os processos de datação não são nada simples e não permitem grande precisão. Essas duas crateras estão distantes apenas cerca de 100km, e possuem algumas similaridades geológicas. Isso é um indício de que elas podem ter sido criadas pelo mesmo asteroide ou cometa que teria se partido em dois pelo choque com a atmosfera.

Cratera de Vista Alegre [Alvaro P. Crosta et al (2004)]

Cratera de Vista Alegre [Alvaro P. Crosta et al (2004)

Continuando a subida pelo mapa chegamos à cidade de São Paulo, onde encontramos a Cratera da Colônia, formada à cerca de 36 milhões de anos e com 3,6Km de diâmetro. Essa cratera localiza-se no distrito de Palheiros, uma região bastante rica em mata atlântica.

Cratera da Colônia

Cratera da Colônia

Mais acima, na divisa entre Mato Grosso e Goiás, encontramos a Cratera de Araguainha, ou Domo Araguainha. Sua idade foi estimada em torno de 245 milhões de anos, próximo a uma das maiores extinções em massa ocorridas na Terra. Originalmente, ela deveria ter cerca de 24km de diâmetro, mas após sucessivos desmoronamentos de suas paredes internas, hoje ela se apresenta com cerca de 40km de diâmetro.

Cratera de Araguainha (Imagem do satélite LANDSAT)

Cratera de Araguainha (Imagem do satélite LANDSAT)

Um pouco acima encontramos a Cratera da Serra da Cangalha, no estado de Tocantins, próximo à divisa com o Maranhão. Identificada como cratera de impacto em 1973, possui um diâmetro de cerca de 12km e teve sua idade máxima estimada em 300 milhões de anos.

Cratera da Serra da Cangalha

Cratera da Serra da Cangalha

Caminhando 45km a nordeste da Serra da Cangalha, encontramos, no Maranhão, outra cratera conhecida como Cratera do Riachão, ou Riachão Ring. Com idade máxima de 200 milhões de anos, possui 4,5km de diâmetro.

Cratera do Riachão (Imagem, Dr. Carlos Roberto de Souza Filho)

Cratera do Riachão (Imagem, Dr. Carlos Roberto de Souza Filho)

Essas duas últimas crateras, separadas por apenas 45km, são outro exemplo de possíveis crateras gêmeas em nosso país.

E, finalmente, chegamos na cratera conhecida como Estrutura de São Miguel do Tapuio, no Piaui. Essa cratera possui 20Km de diâmetro e foi criada na era pré-abertura do Oceano Atlântico. Existe divergência sobre a real origem dessa estrutura. Alguns pesquisadores acreditam que não se trate de uma cratera de impacto, mas de um antigo vulcão desativado há milhões de anos.

Estrutura de São Miguel do Tapuio

Estrutura de São Miguel do Tapuio

Mas, beleza e espetáculos à parte, existe hoje uma cooperação internacional que trabalha identificando objetos que possam entrar em rota de colisão com a Terra. Caso algum objeto perigoso seja identificado com algumas décadas de antecedência do possível impacto, temos tecnologias para desviá-lo de órbita. Afinal, crateras de impacto são bonitas… desde que não estejamos por perto no momento de sua formação!

Existem ainda outras crateras no Brasil que não foram comprovadamente formadas por impacto. De qualquer maneira, todas essas estruturas podem ser admiradas como registros de impressionantes eventos do passado.