“A Terra é azul!” foi a célebre frase dita por Yuri Gagarin, o primeiro homem a ir ao espaço e ter uma visão sem precedentes de nosso planeta. Pelo menos oficialmente, pois hoje, com a Guerra Fria distante o suficiente no tempo, existem dados que sugerem fortemente que outros russos menos sortudos foram ao espaço antes dele. Gagarin talvez devesse ser lembrado não como o primeiro homem a ir ao espaço, mas como o primeiro a voltar.

Apesar de nosso planeta ser realmente muito bonito graças ao azul dos oceanos, sua região verde também é extremamente bela e representa diretamente grande parte da vida por aqui. Um equipamento a bordo do satélite norte-americano Suomi National Polar-orbiting Partnership, ou simplesmente Suomi NPP, operado pela United States National Oceanic and Atmospheric Administration (NASA/NOAA), capturou imagens que mostram com destaque as regiões com maiores densidade de vegetação na Terra.

Parte da imagem da Terra (projeção Mercator) mostrando as regiões com maiores densidades de vegetação. (Fonte: NASA/NOAA. Navegue na imagem completa aqui)
Parte da imagem da Terra (projeção Mercator) mostrando as regiões com maiores densidades de vegetação. (Fonte: NASA/NOAA. Navegue na imagem completa aqui)

O Suomi NPP é um satélite meteorológico, e o recurso de obter imagens com tamanha definição e nível de detalhamento das regiões mais vegetadas do planeta irá permitir um rigoroso acompanhamento das variações na vegetação ao longo dos meses e anos. Também permitirá o registro dos efeitos visuais de queimadas e de alterações climáticas globais que podem causar os primeiros efeitos visíveis na vegetação.

As tecnologia dos satélites meteorológicos associada ao desenvolvimento do poder de processamento dos computadores tem permitido uma previsão do tempo muito mais eficiente que a poucos anos atrás. Em tempos de incerteza com relação às causas do aquecimento global, um acompanhamento do comportamento da vegetação pode ser tão importante quanto o monitoramento de asteroides com órbitas próximas à da Terra.

O vídeo abaixo mostra as variações na densidade de vegetação global ao longo de um ano:

A Terra é azul, mas também é verde. E também é bege e branca, considerando os desertos e as nuvens. Considerando ainda a influência humana temos todos os matizes possíveis e imaginários. Qualquer avanço trazido pela tecnologia que nos permita olhar com mais atenção para esse frágil e colorido planeta é muito bem vinda!

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

Uma resposta em “As Regiões Verdes do Planeta Azul”

  1. Que legal, fiquei intrigado com o vídeo, achei muito interessante. As novas tecnologias têm um potencial enorme de nos ajudar a entender as dinâmicas naturais principalmente nesse caso da vegetação que é algo realmente preocupante. Seria interessante também algo nesse sentido direcionado para a poluição.

    Em suma, as tecnologias já estão aí, só falta aprender a usá-las em de modo a beneficiar o planeta.

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