O ano de 2015 chegou ao fim porque aqui no Ocidente o tempo é baseado no calendário solar que é medido pelo tempo gasto pela Terra para completar uma volta ao redor do Sol. Enquanto a maioria das pessoas acredita estar em 2016, historiadores e astrônomos contestam e esclarecem a disparidade existente no calendário e na ordem das datas estabelecidas. Esses detalhes e acontecimentos embora não venham possuir importância no âmbito pessoal, para a história e a ciência são relevantes.

Uma pesquisa histórica nos ensina que a era cristã tem inicio no nascimento de Cristo cuja data verdadeira é desconhecida. A estimativa de datas em que se baseia nosso calendário, foi feita durante a Idade Média por um monge chamado Dionisyus Exiguus, O Pequeno, que vivia em Roma no ano 525 e, segundo uma série de fontes, inclusive a Enciclopédia Católica, de fixar o ano 1 de nossa era em 753 A.U.C. (Ab Urba Condita), depois da fundação de Roma (a história de Roma abrange um período de 1229 anos, de 753 a.C. a 476 d.C. ) . Acontece que Dionisyus utilizando a data de 25 de dezembro do ano 753 errou nas contas por cerca de 4 anos e além disso não se deu conta de fixar o ano zero; ele apenas chamou o ano de 752 de ano 1 antes de Cristo e o de 753 de ano 1 AD (Ano Domini ou Ano do Senhor).

Para alguns estudiosos, acontecimentos ligados ao nascimento de Cristo tiveram lugar em 754. A era Cristã foi adotada pela Igreja em 532 por sugestão de Dionisyus que decidiu contar os anos a partir de 1º de janeiro em seguida ao nascimento de Cristo. Nessa época a idéia do zero era desconhecida. Em 440 é que a Igreja decidiu que a data do nascimento de Cristo seria 25 de dezembro do calendário romano. Os cronologistas por sua vez, decidiram retardar sete dias o inicio da era Cristã para que coincidisse com o inicio do ano 754 da fundação de Roma. Analisando fatos históricos ligados a Roma e Israel, palco dos acontecimentos, o cálculo de Dionisyus carece de fundamento. Isso porque se Cristo houvesse nascido em 754 da fundação de Roma, Herodes já estaria morto há cinco anos e os apóstolos Mateus e Lucas estariam mentindo. Sendo válido este raciocínio , estamos pois brindando o ano de 2022 ou 2023 segundo o qual Cristo deve ter nascido cerca de seis ou sete anos que o registrado no calendário ocidental, considerando o erro maior cometido por Dionisyus.

Em seu livro “A Infância de Jesus”, o papa Bento XVI diz que Maria deu à luz entre 7 e 6 a.C. o que vem corroborar o acima colocado. Nosso calendário é Gregoriano que adveio do Juliano e este por sua vez dos egípcios. Ao longo dos séculos, as modificações introduzidas não teve como corrigir as discrepâncias que ocorriam e a solução foi a introdução de um novo calendário em 24/02/1582 pelo papa Gregório XIII através da bula “Intergravissimas”. Para isto ele consultou o astrônomo napolitano Luigi Lilius (1510-1576) e depois o jesuíta,matemático e astrônomo alemão Cristophorus Clavius (1537-1612). Para ajustar a diferença existente, foram necessários diminuir 11 dias ao ano 1582. A quinta-feira 04 de outubro passou para a sexta-feira dia 15. Mesmo com as regras estabelecidas no calendário gregoriano que utilizamos a partir de 1582, ele não é perfeito e apresenta um excesso de 0,0003 dias em relação ao ano trópico, ou seja, de 1,132 dias em quatro mil anos. Traduzindo em segundos para melhor compreensão, o ano gregoriano que utilizamos tem 31.556.952 s e a exata translação da Terra ao redor do Sol é de 31.556.925 s. Daí sobrevém o excesso acima colocado. Por isso, não vale a pena encetar uma reforma no calendário para introduzir a fração de segundo, pois a atual diminuição da rotação da Terra já dará conta disso.

Entretanto se essa ínfima diferença pouco significa para a humanidade, para a datação de fatos históricos, em astronomia, ciência espacial e cálculos relativísticos, tal é inadmissível e para isso é que foram criados os relógios atômicos. São eles que controlam a diminuição da rotação do nosso planeta via marés e no fato da Lua afastar-se de nós 3,5 a 4 centímetros por ano. O efeito acumulativo da diminuição da rotação da Terra cresce proporcionalmente não ao tempo mas ao seu quadrado. Pesquisas indicam que há 900 milhões de anos o dia durava apenas 18 horas e o ano tinha 480 dias. Isso faz com que várias medições diárias são realizadas com resolução de nanosegundo. O calendário é pois um conjunto de regras baseadas na astronomia e através dela é que qualquer iniciativa terá que se apoiar. O calendário deveria ser universal, segundo cálculos astronômicos pois como está é historicamente arbitrário e matematicamente errôneo.

terra-elektro-l