
Constantemente aparecem notícias sobre “alinhamentos” planetários, normalmente associadas a maus presságios pela astrologia. Não entendo de astrologia, então façamos uma análise dos “alinhamentos” pela óptica da Astronomia.
Usei “alinhamento” entre aspas, porque nunca fica claro a que a palavra se refere. Me parece que alinhamento é a colocação deobjetos em linha, um atrás do outro ou um do lado do outro. Portanto, um alinhamento planetário do tipo um atrás do outro acontece quando temos ao longo da mesma linha de visada alguns planetas em sequência.
Alinhamento desse tipo é muito difícil porque os planetas não giram ao redor do Sol exatamente no mesmo plano. Giram aproximadamente no mesmo plano. Portanto, ao longo de uma linha de visada (linha que sai do seu olho e vai ao infinito no céu), é comum vermos um planeta próximo a outro, mas não um atrás do outro. É possível ocorrer esses alinhamentos, ou ocultações, como chamamos na Astronomia, mas não é comum.
O outro tipo de alinhamento, um planeta do lado do outro, ocorre sempre. Sim, sempre observamos o Sol e os planetas aproximadamente numa mesma linha, que chamamos eclíptica. Portanto, sempre teremos os planetas alinhados no céu, um do lado do outro.
O que acontece nesse mês de agosto, e talvez tenha sido o que levantou novamente o assunto dos alinhamentos, é a proximidade de Mercúrio, Saturno, Vênus e Marte no pôr do Sol. Veja a carta celeste abaixo, feita para o dia 15 de agosto, às 16h50m, no Rio de Janeiro.
A carta mostra o Sol ainda no céu, portanto, ainda de dia, mas próximo do ocaso. Assitir o pôr do Sol nesses dias certamente será um belo espetáculo acompanhado de outro belo espetáculo, a proximidade aparente de quatro planetas no céu.
Bom, é importante salientar que alinhamentos planetários, sejam quais forem, não exercem absolutamete nenhuma inflêncua sobre a Terra. Nem mesmo de natureza gravitacional. Trata-se apenas de uma configuração natural da dinâmica planetária.