A maneira mais comum de se determinar a velocidade de rotação de um asteroide é identificar como varia seu brilho. Isso foi feito por um grupo de astrônomos liderados pela Universidade de Kent, no Reino Unido, com o asteroide 25143 Itokawa. O grupo combinou essas informações referentes à rotação com a forma do objeto, e obtiveram informações sobre a estrutura interna do asteroide. Para surpresa de todos, a densidade interna do asteroide varia bastante ao longo de sua extensão.
“Esta é a primeira vez que conseguimos determinar como é o interior de um asteroide”, disse Stephen Lowry, da Universidade de Kent. “Podemos ver que Itokawa tem uma estrutura extremamente variada – esta descoberta é um importante passo em frente na nossa compreensão dos corpos rochosos do Sistema Solar”.
Realmente é, porque não era esperada uma variação tão grande de densidade dentro de um asteroide. A densidade do 25143 Itokawa varia de 1,75 gramas por centímetro cúbico em uma extremidade a 2,85 gramas por centímetro cúbico na outra, uma variação de mais de 60%.

O grupo mediu as alterações na rotação do asteroide provocadas pelo efeito YORP, ou Yarkovsky-O’Keefe-Radzievskii-Paddack. Esse efeito ocorre porque a forma irregular asteroide faz com que a energia solar absorvida por ele não seja reemitida para o espaço de forma homogênea, produzindo torques que irão alterar a rotação. O resultado encontrado, uma variação de apenas 0,045 segundos por ano, só pode ser explicado se o asteroide tiver a variação de densidades proposta pelo grupo.
Esse é o primeiro trabalho desse tipo, utilizando a variação na rotação combinada com a forma para se determinar algo da estrutura interna de um asteroide. Evidentemente, uma possibilidade é que especialmente o 25143 Itokawa se formou a partir da fusão de dois diferentes asteroides. É necessário que outros trabalhos semelhantes apareçam para sabermos se é normal um asteroide ter grande variação de densidade de matéria em sua estrutura interna ou se 25143 Itokawa é um caso especial.
Vale ressaltar que todas as imagens utilizadas nesse trabalho foram feitas com telescópios em Solo, sem nenhuma ajuda de telescópios espaciais. Apesar de já termos tido muitas imagens sensacionais dos telescópios espaciais e termos a promessa de muitas outras num futuro próximo, a Astronomia vai sempre fazer uso dos bons e velhos equipamentos aqui no chão.
Leia Mais:
Site do ESO (em português): http://www.eso.org/public/brazil/news/eso1405/
Site do ESO (em inglês): http://www.eso.org/public/news/eso1405/