Em 14 de dezembro de 2013 assistimos ao pouso bem sucedido da sonda chinesa Chang’e-3 em solo lunar. Essa foi a primeira vez que uma missão chega à Lua desde 1976, e faz da China o terceiro país a chegar ao satélite após a antiga União Soviética e Estados Unidos.

As primeiras missões espaciais que chegaram à Lua foram desenvolvidas pela União Soviética e colocadas em ação em 1959. Em Janeiro daquele ano, a Luna 1, também chamada Mechta (sonhar, em russo) passou a cerca de 6 mil quilômetros do satélite, sendo seguida pela Luna 2 que atingiu o solo lunar em Setembro, e pela Luna 3 que tirou as primeiras fotografias do lado oculto da Lua em Outubro. Um ano rico para a conquista da Lua.
Após o sucesso soviético, naquele período de Guerra Fria, os Estados Unidos deram início ao projeto Apollo, que levou astronautas à Lua. Os primeiros passos de um ser humano foram dados na Lua em Julho de 1969 e os últimos em Dezembro de 1972.
Em paralelo ao programa norte-americano, a União Soviética continuou sua exploração robotizada. O programa Lunokhod levou pequenos veículos que deslizaram pela superfície lunar em 1970 e 1973, e as últimas sonda Luna trouxeram amostras do solo para a Terra, sendo a última, Luna 24, lançada em Agosto de 1976.

Desde então, outras sondas foram enviadas à Lua, como a norte-americana Clementine em 1994 e a Indiana Chandrayaan I em 2008, mas nenhum pouso foi feito. Até agora, quando a chinesa Chang’e-3 fez sua alunissagem, levando o pequeno e simpático veículo Yutu. O nome do veículo quer dizer Coelho de Jade, uma referência poética chinesa à forma de coelho que (usando muito a imaginação) podemos ver num conjunto formado por alguns mares lunares.
A Chang’e-3 faz parte do Programa Chinês de Exploração Lunar, que se divide em: duas sondas que orbitaram a Lua ( Chang’e-1 e Chang’e-2); duas feitas para pousar no satélite (Chang’e-3 e Chang’e-4); e uma que deve retornar amostras do solo lunar para a Terra (Chang’e-5).
O estudo da Lua com sondas e astronautas foi uma linha mestra na Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética tentavam mostrar ao mundo quem era mais o poderoso tecnologicamente. Afinal, quem conseguisse as maiores proezas com foguetes, sondas e astronautas também as conseguiria com mísseis, equipamentos de espionagem e soldados. A Guerra Fria acabou com o fim da União Soviética, mas uma tensão entre grandes potências ainda perdura. China e Estados Unidos já se estremeceram e o sucesso do Programa Chinês de Exploração da Lua coloca uma pulga bem grande atrás de algumas orelhas.
Nós, amantes do céu e da Ciência, e pessoas contrárias às guerras, independente da temperatura, talvez tenhamos novidades interessantes vindas dos Chineses nos próximos anos. Espero que eles as traduzam.

Leias Mais:
Matéria no jornal The Guardian (em inglês): http://www.theguardian.com/science/2013/dec/14/chinese-spacecraft-lands-moon-china
2 respostas em “China na Lua”
Concordo plenamente com o final do seu texto.
Como diria aquela música dos Paralamas do Sucesso:
“Tendo a Lua aquela gravidade por onde o homem flutua;
Merecia a visita não de militares;
Mas de bailarinos;
E de você e Eu”
Marcelo, excelente lembrança!
Essa música tem tudo a ver com o contexto! Muito obrigado por tê-a lembrado aqui! Aliás essa música precisa entrar na sessão “Arte” do Astronomia…
Espero que esse nosso grupo de pessoas que querem conhecer a natureza e preservar a Paz cresça cada vez mais.
Forte Abraço!