Qual será a origem da vida? Existem experimentos que dizem ser possível, a partir da condições iniciais do planeta Terra, ter se formado quase espontaneamente da combinação de vários elementos químicos. Outras teorias falam da possibilidade da vida ter sido de origem extraterrestre, disseminada por cometas e asteroides. Qual a verdadeira?

Para responder esta pergunta, o pesquisador russo Aleksander Oparin e o inglês John Burdon Haldane propuseram, no início da década de 1920, a formação de moléculas orgânicas a partir de moléculas inorgânicas, inicialmente na atmosfera e posteriormente nos oceanos.

John Burdon e Aleksander Oparin

John Burdon e Aleksander Oparin

Resumidamente seria assim. As condições iniciais do planeta eram muito diferentes da atual. A enorme quantidade de vulcões expeliam gases e partículas que ficaram aprisionados ao planeta devido à força gravitacional, criando uma atmosfera primitiva.

Composta basicamente dos gases – Metano (CH4), Amônia (NH3), Hidrogênio (H2) e vapor de água (H2O) –, a atmosfera primitiva continha pouco Oxigênio (O2) e, por isto, era um ambiente de baixa oxidação, o que permitiria a combinação e a preservação de elementos mais complexos.

Como a camada de Ozônio (O3) não existia ou era muito rarefeita, uma enorme quantidade de radiação agia sobre os gases atmosféricos, além de gigantescas descargas elétricas que forneciam energia para a formação de moléculas orgânicas mais complexas. Como eram formadas na atmosfera, estas moléculas orgânicas eram depositadas nos oceanos através das chuvas, enriquecendo-os de materiais orgânicos ao longo de milhares de anos, formando a chamada sopa nutritiva ou sopa primordial.

Na sopa nutritiva, as moléculas iriam se aglomerar e formar as estruturas chamadas de coacervados, moléculas proteicas envoltas por água. Ainda não eram seres vivos mas um sistema semifechado que conseguia interagir com as áreas externas e produzir reações químicas internamente.

Com a presença dos coacervados pode-se supor o aparecimento dos primeiros seres com uma membrana proteica e lipídica com uma molécula de ácido nucleico, que poderia regular as reações internas e se reproduzirem, dando origem a outros seres semelhantes.

Coacervats
Stanely Miller e Harlod Urey, da Universidade de Chicago, construíram um aparelho para simular as condições da atmosfera primitiva e a formação de compostos orgânicos. O resultado foi espetacular pois conseguiu combinar moléculas complexas, inclusive aminoácidos, uma das bases para a existência de vida como conhecemos.

Esquema do simulador de Miller e Urey

Esquema do simulador de Miller e Urey

A corrente mais aceita para a formação de vida é da necessidade da água. Porém, um experimento feito no início da década de 1970, pelo biólogo Sidney Fox, mostrou que é possível a união de aminoácidos sem a presença de água. A experiência consistia no aquecimento, a seco, até uma temperatura de 60ºC de uma mistura de aminoácidos. O resultado foi a produção de pequenos polipeptídeos, ou seja, uma cadeia de aminoácidos que podem levar à produção de uma proteína, que são responsáveis por diversas funções em um organismo mais complexo.

O problema de se encontrar a síntese de formação de grandes moléculas foi solucionada a partir da hipótese da ocorrência destas reações na superfície de rochas e em compostos de argila existentes na superfície do planeta. Com estes elementos complexos e as chuvas foi possível a criação da sopa nutritiva proposta por Oparin e o aparecimento das formas de vida primordiais.

Outro modelo que tenta explicar o aparecimento de vida na Terra baseia-se na queda de meteoritos e cometas. Estes objetos, oriundos dos mais diferentes pontos da nuvem que formou o Sistema Solar, além do choque entre os objetos protoplanetários, e até mesmo da colisão de cometas com outros planetas, teriam trazido as primeiras formas de aminoácidos e proteínas para a Terra, semeando a vida primordial.

Este modelo de vida oriunda do espaço, apesar de não termos comprovação, apenas a presença de moléculas pouco complexas encontradas em amostras de meteoritos, principalmente os condritos carbonáceos, pode explicar a origem no nosso planeta, mas transfere o problema para outras regiões espaciais muito mais inóspitas do que as encontradas aqui na Terra.

Esta hipótese chama-se Panspermia e foi proposta inicialmente por Anaxágoras, filósofo grego do século Va.C. que, apesar de pouco aceita, está baseada atualmente na existência de um grupo de seres vivos chamados de extremófilos.

Os extremófilos são organismos que sobrevivem a condições adversas para outras formas de vida. Os mais estudados aqui na Terra são encontrados em fontes termais sob pressões e temperaturas enormes ou em locais com temperatura muito abaixo do ponto de congelamento da água 0ºC.

Fonte termal

Fonte termal

Um exemplo de extremófilo são os  tardígrados. Conhecido também como ursos-d’água, são artrópodes, ou seja, possuem como característica o exoesqueleto e são invertebrados com diversos apêndices articulados em seu corpo.

Em 2007, vários espécimes foram enviados ao espaço e, além do vácuo, foram expostos a quantidades enormes de radiação. Um terço dos animais continuou vivo e uma parte deles ainda foi capaz de se reproduzir.

Tardígrado

Tardígrado

Ovo do tardígrado

Ovo do tardígrado

Apesar da resistência dos tardígrados e outros seres vivos, como os ostrácodes, um pequeno crustáceo que pode medir entre 0,5mm e 4mm, ambientes externos são demasiadamente inóspitos fazendo com que, apesar da possibilidade, poucos pesquisadores acreditem na teoria de origem de vida chamada panspermia.

No dia 19 de agosto de 2014, foi publicado em um jornal russo, a ITAR-TASS, a entrevista com o Vladimir Solovyev, chefe de operações na estação espacial internacional (ISS) afirmando que foi encontrado plâncton marinho na parte externa e nas janelas da ISS. Apesar de não saber como foi dada a contaminação, o pesquisador supõe que tenha sido levado durante os diversos lançamentos das partes que formam a estação. Link para a notícia:  http://en.itar-tass.com/non-political/745635.

A Agência Espacial Norte Americana (NASA), ao ser questionada sobre a existência destes microorganismos, não confirmou, restringindo-se a comentar que aguardam relatórios da agência espacial russa Roscosmos.

Casos como este aparecem esporadicamente na imprensa. Em 1996, pesquisadores afirmaram que um meteorito de origem marciana possuía em seu interior traços que sugeriam a presença de um fóssil extraterrestre. A imprensa noticiou entusiasmadamente a descoberta e algumas semanas depois diferentes pesquisadores sugeriram que estas estruturas são causadas por contaminação de microorganismos terrestres. A controvérsia persiste até hoje.

Estrutura encontrada no meteorito ALH84001

Estrutura encontrada no meteorito ALH84001

A Astronomia exerce um fascínio muito grande da população. Por isto, a necessidade de notícias pela imprensa, a falta de fontes confiáveis e a necessidade de verbas para pesquisa faz com que apareçam informações de origens duvidosas ou pouco criteriosas nas agências de notícias.

Da próxima vez que ler uma notícia sobre Astronomia procure o máximo de informações sobre o assunto em fontes confiáveis, só assim poderá ter um mínimo de segurança sobre o assunto apresentado.

Quanto à pergunta primeira “Qual a origem da vida?” não temos uma resposta definitiva. Para isto, como dizem alguns amigos biólogos, antes temos que encontrar uma definição para o termo vida. Espero que este questionamento seja respondido em breve e que possamos encontrar sinais de sua existência em outros locais do Universo.