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Escala Terrestre

Nuvens Noctilucentes

Nuvens Nocticulentes vistas sobre o Lago Langevanne, próximo a Oslo, Noruega. Foto de Håkon Dahle (http://www.spaceweather.com/nlcs/images2008/17jul08/HAykon-Dahle2.jpg / http://www.spaceweather.com/nlcs/gallery2008_page12.htm)

Esse é um fenômeno meteorológico muito bonito e intrigante. As nuvens noctilucentes são as mais altas nuvens formadas na atmosfera terrestre, a uma altura entre 75 e 85 quilômetros. Essa região está no limite superior da camada atmosférica chamada mesosfera, que se inicia a 50 quilômetros acima da superfície e vai até os 85 quilômetros de altura.

As nuvens nocticulentes são formadas por minúsculos cristais de gelo de cerca de 100 nm (100 bilionésimos de metro) de diâmetro. São geralmente muito tênues para serem observadas. Tornam-se brilhantes quando iluminadas pela luz do Sol que não está no céu do observador, ou seja, está abaixo do horizonte. Isso faz com que o céu fique escuro e as nuvens sejam iluminadas. Esse efeito é possível pela posição dessas nuvens, bem altas a atmosfera, o que faz com que elas possam ser atingidas pela luz do Sol que está abaixo do horizonte. É a mesma configuração geométrica que faz um satélite artificial ser visível.

A primeira observação registrada de nuvens nocticulentes data de 1885. É possível que esse fenômeno atmosférico seja consequência da influência da industrialização da sociedade humana, ainda que não exista, de maneira nenhuma, qualquer ligação entre nuvens ncticulentes e o famigerado aquecimento global.

Nuvens nocticulentes sbre a alemanha. Foto de Christoph Rollwagen ([email protected]) (fonte: http://apod.nasa.gov/apod/ap090624.html)

As nuvem comuns se formam com vapor de água condensado em grãos de poeira na atmosfera. As nuvens nocticulentes se formam com cristais puros de gelo e também com gelo em grãos de poeira, mas não é simples esses grãos chegam tão alto a atmosfera. O mais provável é que sejam originários de asteroides e cometas que deixam essas partículas pelo caminho ao longo de sua órbita. Pode ser também poeira liberada por vulcões ou poeira vinda da superfície mesmo, que chegam tão alto através de movimentos da atmosfera. Ou, ainda mais provável, tudo isso junto.

Parece haver uma relação entre a formação de nuvens nocticulentes e o ciclo de atividade solar. Raios ultravioleta tendem a separar moléculas de água na atmosfera e, de fato, observa-se uma diminuição no brilho dessas nuvens durante os picos de atividade solar.

As primeiras observações, em 1885, aconteceram dois anos após uma violenta erupção da ilha vulcânica Krakatoa, na Indonésia. Os primeiros sinais da atividade do vulcão se iniciaram em maio de 1883 e movimentos sísmicos foram observados até fevereiro de 1884. A ilha foi destruída em 27 de agosto de 1883 com a morte de, o mínimo, 40 mil pessoas. Hoje a ilha é coberta por lava.

Nuvens Nocticulentes fotografadas na Estonia . Foto de Martin Koitmäe (Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Helkivad_%C3%B6%C3%B6pilved_Kuresoo_kohal.jpg)

Apesar dessa tragédia poder estar ligada com as primeiras observações das nuvens nocticulentes, essas intrigantes figuras atmosféricas são bastante fotogênicas. As regiões mais fáceis de se observar são entre 500 e 700 ao norte ou ao sul do equador. Mas, independente de onde esteja, caso observe um pôr do Sol e apareça algo assim, não deixe de fotografar, mesmo que do seu celular.

Abaixo está uma foto de nuvens nocticulentes tiradas do espaço e, depois, alguns links que podem ser interessantes. Repare que as três fotos tiradas do solo que coloquei nesse post são de países frios.

O céu é sempre bonito de se observar, não é? Seja dentro ou fora da atmosfera!

Nuvens Nocticulentes fotografadas por astronautas na Estação Espacial Internacional (Fonte: http://spaceflight.nasa.gov/gallery/images/station/crew-17/html/iss017e011632.html)

 

Mais informações sobre nuvens nocticulentes:

História resumida das observações de nuvens nocticulentes (em inglês): http://www.windows2universe.org/earth/Atmosphere/NLC_history.html

Primeiro post da página (em inglês): http://spaceweather.com/archive.php?view=1&day=03&month=06&year=2010

Nasa Science News: http://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2008/25aug_nlc/

Caderno de ciência do New York Times (em inglês): http://www.nytimes.com/2007/04/24/science/24cloud.html?_r=3&scp=3&sq=noctilucent%20cloud&st=cse&oref=slogin&oref=slogin

 

Por Leandro L S Guedes

Astrônomo, Diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, Msc., Dr., Astrofísica Extragaláctica, História e Filosofia da Ciência.

4 respostas em “Nuvens Noctilucentes”

Fotografei este fenomeno da minha casa em Itaipava, demorei para descobrir do que se tratava! É claro que fotografei !!! Impressionante a variação de cores das nuvens, pena que a fotografia não traduziu toda a beleza que presenciei.
Abraços.
Letícia.

Letícia, sensacional! Independente de como ficou a foto você te o registro desse belo fenômeno!

Astrofotografia, em geral, é uma técnica que demanda dedicação para se aperfeiçoar. E nada se compara à experiência de ver algo diretamente na natureza, com os próprios olhos, como vc viu aquelas nuvens… Muitas vezes, mesmo com o equipamento ideal as condições meteorológicas não ajudam. Eu sempre encorajo todo mundo a fotografar o céu nem que seja com o celular, que pode registrar a Lua e até planetas as vezes. Não sei se você chegou a ver esse post: http://astronomia.blog.br/luar-fotografado-celular/.

Eu só tive uma oportunidade de ver nuvens noctilucentes, e não tinha máquina nem celular comigo.

Obrigado por compartilhar sua experiência e quando tiver outras, compartilhe também!

Forte Abraço e Bons Céus!

Muito bom o post, mas parece que no texto onde se lê “Mil Kilometros” na verdade é “Mil Metros”. A mesosfera começa a 50 km, ou seja 50 mil metros, assim como a região das noctilucentes é cerca de 85 Km. e não 85 Mil Km, onde já nem existem traços da atmosfera terrestre…

André, muitíssimo obrigado! Evidentemente você tem toda razão!

Eu coloquei “mil” antes de todos os “quilômetros” no primeiro parágrafo do texto, o que faria com que a Terra tivesse uma atmosfera com altura de umas oito vezes seu diâmetro! 😀 Obrigado por corrigir isso!!! Empurrei a Linha de Kármán para quase um terço da distância até a Lua… Hahahaha 😀

Você deixou aqui um grande exemplo de leitura crítica, pensando sobre o que está lendo e avaliando o conteúdo. Esse é um dos grandes desafios da divulgação científica, incentivar exatamente isso nas pessoas: ler criticamente. Muito obrigado por isso.

Forte Abraço!
Leandro.

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