Um levantamento de dados permitiu a modelagem tridimensional da região central de nossa Galáxia, conhecida como bojo galáctico. Essa modelagem nos permite criar uma projeção de como seria o centro da Via-Láctea visto de diferentes pontos do espaço.

Por ser uma região muito densa, com um total de cerca de 10 bilhões de estrelas, mais espessas regiões de gás e poeira, sua observação é complicada. As estrelas escolhidas são chamadas de estrelas do red clump, estrelas gigantes, ricas em metais e mais brilhantes que estrelas mais jovens de mesma temperatura. Estrelas nessa fase estão queimando hélio, enquanto estrelas mais jovens queimam hidrogênio. Essas estrelas foram escolhidas por serem velas padrão, ou seja, estrelas que, por produzirem uma luminosidade bem determinada, permitem que conheçamos suas distâncias com boa precisão (comparando a luminosidade produzida com a luminosidade observada).

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Forma de X formada pelos movimentos das estrelas. A faixa branca corresponde ao disco galáctico, retirado do estudo pela dificuldade de observação, a as cores representam diferentes densidades de estrelas (o centro é a região mais densa) (Credito da imagem: MPE)

Representação do aspecto do bojo galáctico e sua posição em relação ao Sol. As cores representam diferentes densidades de estrelas (o centro é a região mais densa) (Credito da imagem: MPE)

Como não poderia faltar alguma peculiaridade, nosso centro galáctico parece ter a forma de um amendoim, sustentada por uma estrutura em X. Observações anteriores já haviam sugerido esse X formado pelos órbitas de algumas estrelas. As novas observações foram feitas com observações de mais de 400 estrelas cujas posições no céu foram registradas ao longo de 11 anos. As estrelas observadas ao longo do plano galáctico não fornecem bons dados, e essa região foi retirada do estudo. Normalmente, quando se faz observações que envolvam regiões atrás do disco, a região do disco propriamente dita é retirada.

Sergio Vásquez, um dos participantes do estudo disse: “As estrelas que observamos parecem estar a mover-se ao longo dos braços, em forma de ‘X’, do bojo, à medida que as suas órbitas as levam para cima, para baixo e para fora do plano da Via Láctea. Tudo isto se ajusta na perfeição com previsões de modelos atuais”.

Diversas obervações modernas tem confirmado previsões teóricas, simulações de computador e observações mais antigas, com menos dados ou equipamentos menos capazes que os atuais. Isso é um sinal de como nossa produção científica astronômica está tendo sucesso.

 

 Leia Mais:

Artigo Científico (em inglês): http://arxiv.org/abs/1308.0593

ESO (em português): http://www.eso.org/public/portugal/news/eso1339/

ESO (em inglês): http://www.eso.org/public/news/eso1339/

MPE (em inglês): http://www.mpe.mpg.de/3286155/News_20130912

O Globo: http://oglobo.globo.com/ciencia/astronomos-montam-modelo-3d-inedito-do-nucleo-da-via-lactea-9923854

Notícias ao Minuto: http://www.noticiasaominuto.com/mundo/106078/via-l%C3%A1ctea-tem-a-forma-de-um-amendoim-ao-centro#.UjHTlawU6cM