Estrelas muito parecidas com o Sol, chamadas de gêmeas solares, são importantes por dois motivos principais. Um deles é que observando tais estrelas em diferentes momentos de sua evolução podemos ter uma ideia de como o Sol foi ou como será. O outro está relacionado com a busca de vida fora da Terra. Os tipos de vida que conhecemos até agora se formaram num planeta rochoso que gira ao redor do Sol, portanto, é bem mais provável que encontremos os mesmos sinais químicos da vida que conhecemos em algum planeta que gire ao redor de uma estrela parecida com o Sol. Procurar algo que conhecemos é muito mais fácil que procurar algo que não sabemos o que é, por isso as buscas de vida extraterrestre se concentram em ambientes onde existe a possibilidade de haver vida parecida com a da Terra.

Um grupo internacional de astrônomos, envolvendo participantes da Universidade de São Paulo (USP), identificou a gêmea Solar mais antiga encontrada até agora. Essa irmã gêmea mais velha (contra-senso não? Mas não é o único, lembre-se que na astronomia oxigênio é metal! :P) chama-se HIP 102152, está a 250 anos-luz de nós, na constelação de capricórnio e tem cerca de 8,2 bilhões de anos de idade. O grupo comparou essa estrela com a 18 Scorpii, a 45,3 anos-luz na constelação do Escorpião, que tem cerca de 2,9 bilhões de anos.
Essas estrelas parecidas com o Sol vivem em torno de 10 bilhões de anos. Podemos dizer então que 18 Scorpii é uma jovem adulta, HIP 102152 é uma senhora que já pode entrar nas filas preferenciais nos bancos e supermercados, e o Sol, com seus 4,6 bilhões de anos, é um respeitável senhor de meia-idade.
Jorge Melendez, astrônomo peruano que trabalha na USP e faz parte do grupo que estudou essas duas gêmeas solares, disse: “Um dos problemas que quisemos atacar é se o Sol é ou não uma estrela típica em sua composição. Principalmente, porque ele tem uma quantidade estranhamente tão baixa de lítio?”.
Lítio é o terceiro elemento da tabela periódica e foi formado no Big-Bang, junto com hidrogênio, e hélio, mas sua quantidade no Universo atual é bem diferente daquela prevista pela teoria. Esse sempre foi um forte argumento dos críticos do Big-Bang, mas o problema parece ter sido resolvido recentemente (veja abaixo referências 1 e 2).
E especialmente no que diz respeito ao Sol, a inesperada quantidade do elemento era um argumento pessimistas para se dizer que o Sol é, de fato, uma estrela diferente. Por isso, a vida não deve ser comum no Universo, já que só conhecemos vida numa estrela quimicamente atípica.
Mais um argumento furado contra a diversidade de vida que cai por terra, porque o grupo mostrou que parece existir uma correlação entre a idade e quantidade de lítio em estrelas do tipo solar. TalaWanda Monroe, também da USP, disse que “podemos ter certeza agora que as estrelas de alguma maneira destroem seu lítio, e que a quantidade de lítio no Sol parece ser normal para sua idade.”
Se ainda existia alguém achando que a Terra podia ser o único lugar com vida porque o Sol era uma estrela diferente, não existe mais.
Leia Mais:
1 – (em inglês) http://blog.chron.com/sciguy/2013/08/big-problem-the-big-bang-theorys-stars-are-high-on-lithium/
2 – (resumo de artigo científico – em inglês) http://www.aanda.org/articles/aa/abs/2009/32/aa12221-09/aa12221-09.html
3- (em inglês) http://www.mpa-garching.mpg.de/mpa/research/current_research/hl2013-3/hl2013-3-en.html
5- (em português) http://oglobo.globo.com/ciencia/a-mais-velha-estrela-irma-do-sol-9735872