O tema desse blog é, evidentemente, Astronomia. Mas na primeira frase da apresentação do site eu já deixei abertas as portas para “Ciência em geral”, prevendo que outros assuntos certamente apareceriam. Afinal todos nós que estamos envolvidos com Ciência de alguma maneira, seja profissionalmente ou por necessidade intelectual (ou ambos!), temos um interesse bastante generalizado.
Gostaria de chamar nossa atenção à experiência feita por uma dupla de Paleontólogos. Essa experiência possui uma forte implicação epistemológica, tendo sido publicada em pleno ano de 2012, quando nossa Ciência empírica parece restrita a aceleradores de partículas e experimentos de laboratório tão complexos que quase obscurecem os objetivos da experiência.
Você acredita que algum cientista conseguiria publicar, em 2012, pleo século XXI, conclusões obtidas de uma experiência feita com baldes d’água? Aqueles dois paleontólogos fizeram isso.

Talvez você já deve ter reparado que muitos fósseis de dinossauro tem o pescoço torto. E bastante torto. Essa postura retorcida é chamada opistotônica: do grego, “tonos” que significa apertado, ou forçado, e “opistho” que significa para trás.
À primeira vista, a posição parece ser o resultado de uma morte dolorosa. Outras suposições eram a de que correntes de água, no passado, teriam causado tal disposição dos ossos, ou ainda que a contratura muscular após a morte (rigor mortis) seria a responsável pela torção dos pescoços dos falecidos dinossauros. Em 1919, B. Denis já havia proposto que a posição opistotônica poderia ser o resultado natural de um processo físico que faz com que a região do pescoço de uma coluna vertebral em decomposição na água fosse puxada para trás. O debate parece ter estado presente na paleontologia desde o início do século XIX.
Para testar a hipótese de Denis, dois paleontólogos, Achim G. Reisdorf e Michael Wuttke, fizeram uma experiência simples. Compraram com um açougueiro seis galinha recém abatidas e as colocaram em baldes d’água. Simples assim. Imediatamente os pescoços viraram 900, e após três meses chegaram a 1400 de torção.
É sabido que muitos dinossauros possuem grandes semelhanças com as aves atuais. Conhecendo bem nossas aves, podemos conhecer melhor os prováveis comportamentos dos sempre encantadores dinossauros, extintos, provavelmente, por uma sequência de impactos sofridos pela Terra há cerca de 65,5 milhões de anos. Foram vítimas de um evento Astronômico que, aparentemente, poderíamos evitar os dias de hoje.
Quando se sentirem cansados das aparentes complicações da Ciência moderna, pense desses dois Paleontólogos. Lembre-se que Ciência é feita com contato com a natureza e um cérebro para processar informações obtidas com esse contato, contato que pode ser feito através de um aceleradores de partículas, ou com galinhas em um balde d’água.
Links de interesse:
Link para o artigo cientifico original dos dois Paleontólogos, Reisdorf e Wuttke, com a descrição detalhada da experiência e suas conclusões (em inglês): http://www.springerlink.com/content/311101262274k114/
Link para reportagem do New York Times (em inglês) : http://www.nytimes.com/2012/03/06/science/archaeopteryx-fossils-appear-twisted-but-not-because-of-agony.html?_r=1&smid=tw-nytimesscience&seid=auto