“Espectro eletromagnético” parece alguma coisa que se poderia ler boiando num prato de sopa de letrinhas, ou uma daquelas expressões que você não consegue repetir cinco vezes sem enrolar a língua.Espectro eletromagnético é apenas o conjunto de todas as ondas eletromagnéticas que podemos encontrar na natureza. Não ajudou muito? Então vamos chamar onda eletromagnética de algo bastante comum: luz.
Quando falamos de luz em Astronomia, estamos falando de qualquer tipo de luz, ou seja, qualquer tipo de onda eletromagnética. Existem, na natureza, ondas eletromagnéticas que não podemos enxergar, como raios-X, infravermelho, ultravioleta, ondas de rádio ou microondas. O forno de microondas nada mais é do que uma caixa com uma lanterna, mas em vez de emitir luz que podemos ver, essa lanterna emite luz em microondas.
Nossos olhos e cérebros estão preparados para identificar uma parte do espectro eletromagnético chamado de espetro visível, ou região visível do espectro. Você pode ver seu corpo, porque ele está refletindo luz vinda de uma lâmpada, e essa luz está dentro da região visível do espectro. Mas você não pode ver a luz infravermelha emitida por você mesmo. Quanto mais quente estiver seu corpo, mais brilhante no infravermelho você fica!
Muitos astros e fenômenos astronômicos emitem mais luz em regiões que não vemos do espectro eletromagnético do que na região visível do espectro. E nós conseguimos ver essa luz que nossos olhos não captam, utilizando equipamentos especiais. Podemos tirar a fotografia de uma nebulosa, por exemplo, em raios-X, outra no infravermelho e depois outra no visível. Cada foto irá nos dar diferentes informações sobre a nebulosa.
Mas se falamos em fotografia, então falamos em imagem. E que cor tem uma emissão de luz em raios-X ? ? ? Quando falamos em cores, estamos falando do espectro visível. Para criar uma imagem feita a partir de luz de outras regiões do espectro eletromagnético, temos que associar uma cor falsaa essa emissão. Assim, podemos associar vermelho aos raios-X e verde ao infravermelho (não há regra para isso). A foto no visível fornecerá as cores de fato do objeto. Numa foto obtida com os raios-X, as regiões de vermelho mais intenso indicarão emissão mais acentuada de raios-X, assim como as regiões de verde mais intenso indicarão na foto do infravermelho onde há mais emissão no infravermelho. Emissão acentuada no infravermelho está associada a temperaturas mais altas, e podemos verificar regiões mais quentes e mais frias de um objeto extenso.
Muitas imagens astronômicas que vemos em livros e na internet são superposição de imagens obtidas com luz de várias regiões do espectro eletromagnético, e utilizam cores falsas para representar numa imagem essas emissões. Isso as torna extremamente belas, ainda que aquelas cores não sejam reais.
Assim é o mundo à nossa volta, com muito mais informações do que podemos captar com nossos sentidos! A tecnologia desenvolvida para se obter imagens de regiões do espectro fora da região do visível pode ser utilizada por soldados para encontrar inimigos à noite, captando luz infravermelha emitida por seus corpos, ou por astrônomos para conhecer mais sobre a natureza. E ainda que as belas imagens obtidas do espaço sejam coloridas com cores falsas, lembre-se de que aquelas emissões existem, e que estamos enxergando além do que a visão nos permite.
Uma versão resumida desse texto foi publicada em maio de 2006 na Curiosidade do Mês no folder e site da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro