
Em 16 de julho de 1746, nascia o italiano Giuseppe Piazzi. Tornou-se monge aos 18 anos e, durante os estudos, desenvolveu gosto especial por Matemática e Astronomia. Progrediu em sua carreira acadêmica e foi encarregado pelo vice-rei da Sicília de planejar a construção e de dirigir um novo observatório que seria estabelecido na capital. Giuseppe viajou e estudou o que havia de mais moderno em sua época em termos de equipamento astronômico. As observações do observatório se iniciaram em maio de 1791.
Com seu novo equipamento, refinou medidas astronômicas importantes, como a da obliqüidade da eclíptica e a da duração do ano trópico. Publicou dois catálogos estelares com posições mais precisas que os anteriores. Ambos mereceram prêmios oferecidos pela França.
Enquanto procurava uma pequena estrela mencionada em um catálogo anterior aos seus, Giuseppe encontrou em, 1º de janeiro de 1801, um astro que se deslocava em relação ao fundo de estrelas aparentemente fixas. Pensou tratar-se de uma nova estrela devido a sua semelhança com estrelas de pouco brilho. Entretanto, devido a seu movimento, passou mais tarde a suspeitar que houvesse descoberto um cometa. Mas, em observações posteriores, não observou nenhuma cauda ou coma, típicas de cometas. Notou também que a velocidade do deslocamento de seu novo objeto parecia constante, o que o levou a crer que havia descoberto um novo planeta. Em uma carta ao amigo Barnaba Oriani, também astrônomo, Giuseppe escreveu: ” Eu anunciei … como um cometa, mas como não é acompanhado por nenhuma nebulosidade e, além disso, como seu movimento é bastante uniforme, me ocorreu várias vezes de ser algo melhor que um cometa. Mas fui cuidadoso de não antecipar essa suposição para o público “.
Acho que se cometas pudessem ler esse trecho da carta de Piazzi, não gostariam muito da expressão “algo melhor que um cometa”…

Giuseppe nomeou sua descoberta de Ceres Ferdinandea, sendo Ceres o nome da deusa das plantas em crescimento, em especial das que geram grãos, como cereais, e o segundo nome, uma homenagem ao Rei Ferdinando IV, rei de Nápoles e da Sicília. De acordo com a mitologia romana, Ceres implorou para Júpiter que a ilha da Sicília fosse colocada no céu. O pedido foi atendido pelo deus dos deuses, que colocou no céu uma constelação com formato triangular, inicialmente chamada Sicília, e hoje conhecida como Triangulum. Por razões políticas, a homenagem ao rei foi retirada, e essa importante descoberta de Giuseppe Piazzi chegou a nós apenas como Ceres.
Ceres foi o primeiro asteróide descoberto no cinturão de asteróides, e o maior encontrado até hoje, com cerca de 900km de diâmetro. Dois astrônomos, Kepler e Bode, já tinham chamado a atenção para a aparente lacuna existente entre Marte e Júpiter, de modo que a descoberta de Ceres nessa região foi um marco importante. Em 1923, o milésimo asteróide descoberto no cinturão de asteróides foi batizado de 1000 Piazzia, e uma cratera em Ceres recebeu o nome informal de Piazzi.
Giuseppe Piazzi morreu em 22 de julho de 1826. Homenagens póstumas são bastante merecidas por esse homem. O rei tentou homenagear-lhe ainda em vida, oferecendo uma medalha de ouro com seu rosto gravado. Giuseppe Piazzi pediu que o valor da medalha fosse utilizado na aquisição de um telescópio equatorial.
Uma versão resumida desse texto foi publicada em julho de 2006 na Curiosidade do Mês no folder e site da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro