“Nós não estamos dando a resposta. Estamos abrindo as portas para um Eldorado, onde os cientistas podem procurar as pepitas de ouro que irão conduzir a uma maior compreensão de como nosso universo veio a ser formado e como ele funciona agora. A imagem em si e sua notável qualidade é uma homenagem aos engenheiros que construíram e operaram o telescópio espacial Planck. Agora, a colheita científica deve começar. ” Foi com esta frase e entusiasmo que o diretor do Departamento de Exploração Científica e Robótica da Agência Espacial Européia (ESA em inglês), Dr. David Southwood, apresentou, no dia 05 de julho de 2009, a primeira imagem de todo o céu obtida pelo observatório espacial Planck.

O objetivo principal da missão Planck é medir as flutuações da Radiação Cósmica de Fundo, com precisão estabelecida pelos limites da astrofísica fundamental. Para fazer isso, Planck fez uma imagem de todo o céu com uma combinação de sensibilidade sem precedentes [math]\left( \frac{\Delta T}{T}\approx 2 X 10^{-6}\right)[/math], resolução angular de 5 segundos de arco e cobertura das frequências de 30 a 857 GHz.

O Planck demorou 50 dias, contados a partir de seu lançamento em 14 de maio de 2009, para chegar em sua órbita atual, cerca de um milhão e meio de quilómetros da Terra, orbitando um dos cinco pontos lagrangianos, o conhecido como L2. Os pontos lagrangianos são regiões no espaço onde objetos de um sistema duplo (Terra-Sol, Terra-Lua, Sol – Júpiter, estrelas binárias cerradas, por exemplo) têm suas forças gravitacionais e os movimentos orbitais contrabalançados, ou seja, onde há um equilíbrio de forças entre os entes do sistema.

A imagem mostra, ao centro, o plano galáctico, as nuvens de poeira fria e as regiões de formação estelar onde diversas estrelas estão na iminência de começar o seu ciclo de vida. Este estudo inicial da distribuição de matéria do meio interestelar fornecerá informações acerca de importantes parâmetros da Via Láctea, uma vez que os equipamentos do Planck são menos sensíveis à temperatura da poeira que experimentos realizados no infravermelho distante.

Parcialmente escondida pelas nuvens de poeira e gás da Via Láctea podemos notar a Radiação Cósmica de Fundo (RCF). Para atingir o objetivo ambicioso de determinar a geometria e os componentes do Universo, esta radiação observada, emitida a aproximadamente 13 bilhões de anos, cerca de 400.000 anos após o Big Bang, será evidenciada após a remoção digital do disco da Galáxia.

Atualmente, a Radiação Cósmica de Fundo tem uma temperatura média de 2,726 K e as pequenas anisotropias e desvios de seu valor médio, nos fornece informações valiosas sobre o início do Universo.

Este não é o primeiro observatório espacial a medir a Radiação Cósmica de Fundo. Em 1992, as observações feitas pelo satélite COBE, resultaram em flutuações na RCF de [math]\frac{\Delta T}{T}\approx 10^{-5}[/math], e escala angular de ~7º. Em 2003, a equipe do satélite WMAP apresentou resultados com precisões da [math]\frac{\Delta T}{T} \approx 10^{-5}[/math], mas com resolução espacial de 15 minutos de arco. Cosmólogos de todo o mundo comemoraram estes resultados pois corroboravam com os modelos de Big Bang inflacionário de origem do Universo.

Com a acurácia do Planck, as flutuações da Radiação Cósmica de Fundo permitirão determinar parâmetros cosmológicos fundamentais como as densidades de matéria escura fria e bariônica com precisão da ordem de 1% ou melhor, além de obter dados sobre as propriedades físicas de fontes extragalácticas.

O fim da missão está estimada para o ano de 2012, permitindo a obtenção de pelo menos mais quatro imagens como esta e os primeiros resultados sobre a Radiação Cósmica de Fundo serão apresentados no início de 2012, gerando uma grande expectativa. A Astronomia avança a grandes passos porém, são iniciativas como esta que permitem grandes saltos para desvendar os mistérios do Universo.

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