Formação de planetas é algo comum no Universo. Os mesmos gás e poeira que formam uma estrela, também formam planetas, cometas e asteroides que orbitarão a estrela. Os modelos teóricos previam que grãos de poeira iam se agrupando devido ao movimento e formando objetos maiores, num processo chamado acreção. Um grão colide com outro e os dois ficam juntos… depois colidem com mais um e agora temos um corpo formado por três grãos, que daqui a pouco recebe outro… esse processo de acumulação de massa é a acreção.

Mas vários grãozinhos juntos poderiam ser dispersados pelo impacto com um outro grão mais abusado, talvez maior e vindo em alta velocidade. Além disso, o crescente atrito com o gás deveria reduzir as velocidades dos grãos agrupados pela acreção e fazer com que caíssem na estrela. Para que esses processos não impedissem a formação de planetas, cometas e asteroides, os grãos deveriam estar numa região protegida, capturados numa espécie de armadilha onde a acreção pudesse ser o processo dominante.

Representação artística do sistema Oph-IRS 48. (Fonte: ESO)
Representação artística do sistema Oph-IRS 48. (Fonte: ESO)

Pela primeira vez foi observada essa região no sistema Oph-IRS 48 (IRS é a sigla em inglês para infrared source – fonte de radiação infravermelha-, e Oph representa a constelação de Ofiúco, ou Serpentário, indicando a região no céu onde se encontra o sistema). É sempre interessante quando uma observação nos permite ver na natureza algo que era previsto teoricamente.

Imagem obtida pelo ALMA/ESO do sistema Oph IRS 48. A região verde indica os grãos maiores (mm) crescendo devido a armadilha de poeira. A elipse em cima à esquerda representa o tamanho da órbita de Netuno. (Fonte ESO).
Imagem obtida pelo ALMA/ESO do sistema Oph IRS 48. A região verde indica os grãos maiores (mm) crescendo devido a armadilha de poeira. A elipse em cima à esquerda representa o tamanho da órbita de Netuno. (Fonte ESO).

Crescendo nessa região protegida, os grão podem atingir um tamanho em que não serão mais dispersados com facilidade, e uma energia cinética (massa vezes velocidade) que impedirão que o atrito com algum gás remanescente naquela orbita o faça cair na estrela. A armadilha se forma quando partículas maiores migram para regiões de maior pressão. Essas regiões de maior pressão podem ser criadas pelo movimento do gás nos limites de uma região com menos densidade de gás, ou um buraco no gás. A armadilha observada nessa primeira vez foi provocada, provavelmente, pelo movimento de uma estrela não observada ou até um planeta que já havia se formado ali.

O vídeo abaixo mostra a formação da armadilha de poeira observada e os efeitos na acreção.

Leia Mais:

Artigo científico na Revista Science (em inglês): http://www.sciencemag.org/content/340/6137/1199.abstract?sid=9faf67bd-2461-4cf7-af9d-985b102b295e

Nota no site do ESO (em inglês): http://www.eso.org/public/news/eso1325/

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

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