Marte de Ludovisi, no Palazzo Altemps, em Roma
Marte de Ludovisi, no Palazzo Altemps, em Roma

Logo nos primórdios da sociedade humana, o homem percebeu a necessidade de se conhecer os ciclos climáticos naturais, ou estações do ano,para se prever a época do plantio, da colheita ou da escassez de alimentos. Era necessário se criar um calendário.

E não havia melhor relógio que o céu. Os movimentos do Sol e da Lua foram utilizados para marcar intervalos de tempo que deram origem ao que conhecemos hoje como ano, mês e semana. O calendário árabe utiliza o movimento da Lua como referência. O calendário judeu, por sua vez, é lunissolar, ou seja, baseia-se tanto no movimento do Sol como no da Lua. Por isso a Páscoa, uma festa de origem judaica, não cai todo ano no mesmo dia de nosso calendário ocidental atual, baseado apenas no movimento do Sol.

Para se ter uma idéia das encrencas enfrentadas pelos que abraçaram a dificílima tarefa de criar um calendário eficiente, note que o tempo que a Terra leva para dar uma volta ao redor do Sol – o ano – não é igual a 365 vezes o tempo que ela demora para dar uma volta ao redor de si mesma – o dia. Um ano tem, aproximadamente, 365 dias e 6 horas.Outro problema é que uma volta completa da Lua ao redor da Terra, o que deu origem ao intervalo chamado mês, não dura 30 dias, mas, aproximadamente, 29 dias e meio. Muita história, política, religião, matemática e astronomia aconteceram até podermos, hoje, pendurar tranqüilamente nossas comportadas folhinhas na parede.

Esse mês de março é interessante para lembrarmos algo curioso, que diz respeito ao longínquo início do calendário romano, que, após sucessivas reformas, daria origem ao nosso calendário atual.

Segundo a lenda, Marte, deus da guerra,era pai de Rômulo e Remo, os fundadores de Roma. O primeiro calendário romano foi instituído por Rômulo, e era lunissolar. Oano se iniciava no mês chamadoMartius, em homenagem a Marte, o mês que conhecemos hoje como março.

O calendário de Rômulo tinha dez meses, sendo dezembro o décimo. Mas após um ano, o Sol não estava na mesma posição no céu em que estava no ano anterior, como era de se esperar. Esse calendário foi logo reformado pelo sucessor de Rômulo, o Imperador Numa Pompilo, mas março continuou a ser o primeiro mês do ano. Nesse novo calendário, aparecem o décimo primeiro e o décimo segundo meses, respectivamente, janeiro e fevereiro. Aparecia, também, um décimo terceiro mês chamado Mercedonius, que era colocado não após, mas dentro de fevereiro, por razões políticas. Ainda assim, o calendário não coincidia com as configurações celestes esperadas.

A próxima investida para acertar o calendário aconteceria por ordem de Julio César. O ano passou a ter 365 dias e, de quatro em quatro anos, um dia a mais era acrescentado, onde antes era o Mercedonius. O ano não mais começava em março, mas em janeiro. Com a morte de Julio César, em sua homenagem, o mês de Quintilispassou a ser Julius, hoje, julho. Seu sucessor, Augusto, também contribuiu para acertar o calendário e, em sua homenagem, renomearam o mês de seu aniversário para Augustus, que chamamos agosto. Como ambos foram grandes imperadores, seus meses deveriam ter igual duração. Por isso, temos até hoje dois meses seguidos com 31 dias. O mês sacrificado foi fevereiro, que passava a ter 28 dias, ou 29, em anos bissextos.

No entanto, séculos após a reforma juliana, verificou-se que havia imprecisão entre o calendário e o movimento aparente do Sol. Mais uma reforma foi efetuada a mando do papa Gregório XIII, criando nosso atual calendário gregoriano.

E foi assim que o mês de Marte, março, deixou de ser o primeiro mês do ano e passou a ser o terceiro. Mas, se ficou faltando algo nas resoluções de ano-novo no último réveillon, agora, nesse antigo primeiro mês, é uma boa hora para rever os planos.

Logo nos primórdios da sociedade humana, o homem percebeu a necessidade de se conhecer os ciclos climáticos naturais, ou estações do ano,para se prever a época do plantio, da colheita ou da escassez de alimentos. Era necessário se criar um calendário.

E não havia melhor relógio que o céu. Os movimentos do Sol e da Lua foram utilizados para marcar intervalos de tempo que deram origem ao que conhecemos hoje como ano, mês e semana. O calendário árabe utiliza o movimento da Lua como referência. O calendário judeu, por sua vez, é lunissolar, ou seja, baseia-se tanto no movimento do Sol como no da Lua. Por isso a Páscoa, uma festa de origem judaica, não cai todo ano no mesmo dia de nosso calendário ocidental atual, baseado apenas no movimento do Sol.

Para se ter uma idéia das encrencas enfrentadas pelos que abraçaram a dificílima tarefa de criar um calendário eficiente, note que o tempo que a Terra leva para dar uma volta ao redor do Sol – o ano – não é igual a 365 vezes o tempo que ela demora para dar uma volta ao redor de si mesma – o dia. Um ano tem, aproximadamente, 365 dias e 6 horas.Outro problema é que uma volta completa da Lua ao redor da Terra, o que deu origem ao intervalo chamado mês, não dura 30 dias, mas, aproximadamente, 29 dias e meio. Muita história, política, religião, matemática e astronomia aconteceram até podermos, hoje, pendurar tranqüilamente nossas comportadas folhinhas na parede.

Esse mês de março é interessante para lembrarmos algo curioso, que diz respeito ao longínquo início do calendário romano, que, após sucessivas reformas, daria origem ao nosso calendário atual.

Segundo a lenda, Marte, deus da guerra,era pai de Rômulo e Remo, os fundadores de Roma. O primeiro calendário romano foi instituído por Rômulo, e era lunissolar. Oano se iniciava no mês chamadoMartius, em homenagem a Marte, o mês que conhecemos hoje como março.

O calendário de Rômulo tinha dez meses, sendo dezembro o décimo. Mas após um ano, o Sol não estava na mesma posição no céu em que estava no ano anterior, como era de se esperar. Esse calendário foi logo reformado pelo sucessor de Rômulo, o Imperador Numa Pompilo, mas março continuou a ser o primeiro mês do ano. Nesse novo calendário, aparecem o décimo primeiro e o décimo segundo meses, respectivamente, janeiro e fevereiro. Aparecia, também, um décimo terceiro mês chamado Mercedonius, que era colocado não após, mas dentro de fevereiro, por razões políticas. Ainda assim, o calendário não coincidia com as configurações celestes esperadas.

A próxima investida para acertar o calendário aconteceria por ordem de Julio César. O ano passou a ter 365 dias e, de quatro em quatro anos, um dia a mais era acrescentado, onde antes era o Mercedonius. O ano não mais começava em março, mas em janeiro. Com a morte de Julio César, em sua homenagem, o mês de Quintilispassou a ser Julius, hoje, julho. Seu sucessor, Augusto, também contribuiu para acertar o calendário e, em sua homenagem, renomearam o mês de seu aniversário para Augustus, que chamamos agosto. Como ambos foram grandes imperadores, seus meses deveriam ter igual duração. Por isso, temos até hoje dois meses seguidos com 31 dias. O mês sacrificado foi fevereiro, que passava a ter 28 dias, ou 29, em anos bissextos.

No entanto, séculos após a reforma juliana, verificou-se que havia imprecisão entre o calendário e o movimento aparente do Sol. Mais uma reforma foi efetuada a mando do papa Gregório XIII, criando nosso atual calendário gregoriano.

E foi assim que o mês de Marte, março, deixou de ser o primeiro mês do ano e passou a ser o terceiro. Mas, se ficou faltando algo nas resoluções de ano-novo no último réveillon, agora, nesse antigo primeiro mês, é uma boa hora para rever os planos.

Uma versão resumida desse texto foi publicada em março de 2007 na Curiosidade do Mês no folder e site da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro

Publicado por Leandro L S Guedes

Sou Astrônomo da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, faço doutorado no curso de História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia, pela UFRJ, e nesse ano de 2013 estou passando alguns meses na Universidade de Notre Dame, EUA. Tenho interesses em: Astronomia, História, Epistemologia, Filosofia da Ciência.

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