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Escala Galáctica

Colisão entre Via Láctea e Andrômeda

Concepção artística de um mundo hipotético assistindo à colisão entre Via Láctea e Andrômeda (Fonte).

Voltou a ser tema do APOD a possível futura colisão entre nossa Via Láctea e a galáxia de Andrômeda. Vale falar um pouquinho mais sobre isso.

O Universo está em expansão, o que significa que as galáxias afastam-se umas das outras. Em média. O movimento próprio das galáxias sempre se sobrepõe ao efeito global da expansão. Por isso, apesar do afastamento imposto pela expansão do Universo, várias galáxias estão indo umas em direção às outras.

As observações indicam que isso está acontecendo entre a Via Láctea a vizinha galáxia de Andrômeda. Como os erros em algumas medidas astronômicas podem ser grandes, é possível que a colisão não aconteça exatamente, ou seja, pode ser que os centros das galáxias não se encontrem. Mas mesmo que isso não aconteça, pode ser que ambas fiquem próximas o suficiente para a interação gravitacional provocar troca de estrelas e até a mistura das duas galáxias, o que chamamos de merge.

As estrelas nas galáxias estão muito afastadas entre si, de modo que, mesmo em uma colisão propriamente dita entre as galáxias, dificilmente ocorre colisão entre as estrelas. O mais comum é uma galáxia passar por perto, ou por dentro da outra apenas trocando estrelas, ou uma ser absorvida pela outra (merge), dando origem a uma galáxia com forma diferente. As duas galáxias espirais Andrômeda e Via Láctea podem dar origem a uma grande galáxia elíptica.

A imagem do APOD, lá em cima no é uma concepção artística, mostrando a visão de alguém em um planeta assistindo à colisão entre Via Láctea e Andrômeda, um processo que demoraria centenas de milhares de anos para se completar. A imagem criada pela mente do artista ficaria no céu daquele planeta imaginário por muito tempo. Assim como as posições das estrelas que vemos aqui na Terra real, que são praticamente os mesmos desde o início da humanidade. O que podemos ver hoje de verdade é o plano da Via Láctea, como um rastro esbranquiçado no céu – o que inspirou os gregos a imaginarem ali um caminho de leite. Na fotografia abaixo aparece a Via Láctea ao fundo e um meteoro da chuva de meteoros perseidas, que acontece todo mês de agosto.

E essa imagem artística é interessante… Afinal, a única conclusão que podemos tirar atualmente da futura colisão entre Andrômeda e Via Láctea vem exatamente pela arte e não pela ciência: seja lá como for, haverá uma bela imagem no céu.

Foto de um meteoro de perseidas (agosto) e a Via Láctea ao fundo (Fonte).

Por Leandro L S Guedes

Astrônomo, Diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, Msc., Dr., Astrofísica Extragaláctica, História e Filosofia da Ciência.

2 respostas em “Colisão entre Via Láctea e Andrômeda”

Meu nome é Rafael tenho 13 anos.Meu sonho é ser astrônomo desde de pequeno eu adoro coisa do espaço tem livros, documentários,etc de varia época que meu tio tinha então quando eu crescer quero ser astrônomo da NASA.Espero que meu sonho aconteça

Rafael,

É sempre muito emocionante encontrar pessoas que tem a sua determinação desde a infância. A grande maioria dos Astrônomos que eu conheço possuem uma história parecida com a sua: tinham esse sonho desde crianças. Portanto, você está no caminho certo!

Os próximos passos são estudar muito e manter a curiosidade acesa. Nunca aceite alguma ideia sem questionar, nunca ache que não falta algo para se conhecer, e, principalmente, nunca ache que algo é muito difícil para ser compreendido de algum ponto de vista.

Se você continuar com a ideia de trabalhar na NASA, você pode fazer isso sendo contratado em algum programa de pesquisa durante seu mestrado, doutorado ou pós-doutorado, ou então, o que é melhor, fazendo concurso. A NASA é uma empresa pública americana e tem um leque de atuação muito grande. Vários brasieiros trabalharam e trabalham lá e certamente um lugar para você está à sua espera.

Certamente suas ideias vão evoluir, e é bom que seja assim. Mas, de qualquer modo, nunca perca a curiosidade, nem a vontade e o prazer de aprender. É isso que faz de uma pessoa um verdadeiro cientista.

Um Forte Abraço!

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