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Os Sete Planetas e a Estrela Anã Vermelha

TRAPPIST-1
Concepção artística do sistema planetário da estrela TRAPPIST-1 (Credito: NASA/JPL)

Foi descoberto um sistema de sete planetas girando ao redor de uma estrela anã vermelha, a cerca de 40 anos-luz de distância de nós, na constelação de Aquário. Todos eles possuem tamanhos semelhantes ao da Terra e todos podem ter água líquida em sua superfície, sendo que três estão na zona de habitabilidade.

O sistema foi descoberto com a utilização de diversos equipamentos, incluindo o telescópio TRAPPIST-South, do European Southern Observatory (ESO). Esse telescópio é dedicado à observação de trânsitos planetários, que ocorrem quando um planeta passa na frente da estrela que orbita, ocultando assim parte de sua luz. Diversos planetas extrassolares foram descobertos dessa forma, incluindo esses sete. A estrela anã vermelha está catalogada como TRAPPIST-1 e os sete planetas como TRAPPIST-1b, TRAPPIST-1c, TRAPPIST-1d, TRAPPIST-1e, TRAPPIST-1f, TRAPPIST-1g e TRAPPIST-1h, em ordem crescente de afastamento da estrela.

Pequena em termos estelares, TRAPPIST-1 tem cerca de 8% da massa do Sol e é apenas um pouco maior que o planeta Júpiter. Ela emite pouca energia e o que faz com que seus planetas sejam temperados e não extremamente frios é o fato das órbitas serem bastante próximas à ela. TRAPPIST-1e, f e g estão na zona de habitabilidade e podem conter oceanos em sua superfície.

Um dos autores do trabalho, Amaury Triaud, disse entusiasmado que

A energia emitida por estrelas anãs como a TRAPPIST-1 é muito mais fraca que a do Sol. Planetas precisariam estar em órbitas muito mais próximas do que vemos no Sistema Solar se fosse para ter uma superfície com água. Felizmente, parece que esse tipo de configuração compacta é exatamente o que vemos ao redor de TRAPIST-1!

No final de 2015, já havia sido feita a observação do transito de três planetas, e o gráfico obtido está na figura abaixo. Veja abaixo da curva a representação da estrela com os planetas passando na sua frente em cada momento registrado pela observação (gráficos desse tipo são chamados curva de luz).

transito em TRAPPIST-1
Gráfico com a variação de brilho da estrela TRAPPIST-1 durante um trânsito triplo dos planetas TRAPPIST-1c, e e f. A observação foi feita pelo instrumento HAWK-I, do ESO. Essa curva de luz mostra pela primeira vez três planetas temperados, dois deles na zona de habitabilidade, passando em frente à sua estrela (ESO/M. Gillon et al.)

O autor principal do trabalho Michaël Gillon, disse também que

Esse é um sistema planetário notável – não apenas porque encontramos tantos planetas, mas porque são todos surpreendentemente similares à Terra em tamanho!

Anãs vermelhas são o tipo mais comum de estrelas na Via Láctea, mas devido à sua baixa luminosidade são difíceis de se observar. Acredita-se que seja comum estrelas desse tipo abrigarem planetas parecidos em tamanho com a Terra em órbitas pequenas, de modo que elas são o alvo preferido na procura de vida extraterrestre.

 

A notícia da observação de um sistema planetário com tantos planetas de tamanho semelhante ao da Terra foi recebida com tanta festa que o Google preparou uma animação de seu logotipo, conhecida como doodle, celebrando o fato.

Seven Earth-size Exoplanets Discovered!
Doodle celebrando a descoberta do sistema TRAPPIST-1 (Crédito: Google)

Realmente o sistema de TRAPPIST-1 é notável, e esse estudo é bastante estimulante. E ele lança luz ao longo caminho pela frente… temos apenas cerca de 3.500 planetas extrassolares confirmados e mais cera de 4.700 candidatos ainda não confirmados. Somando os dois temos cerca de 8.200 objetos. Isso é um número muito pequeno e não representa sequer uma pequena parcela da totalidade de planetas em nossa galáxia.

A descoberta do sistema de TRAPIST-1 nos mostra que há muitos mundos por aí esperando por nossos telescópios e que a busca vale muito a pena. Descobrir vida fora da Terra, agora é uma questão de tempo, não mais de dúvida.

Leia Mais:

 

Concepção artística do sistema de TRAPPIST-1 (Crédito: ESO)

 

 

Por Leandro L S Guedes

Astrônomo, Diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, Msc., Dr., Astrofísica Extragaláctica, História e Filosofia da Ciência.

3 respostas em “Os Sete Planetas e a Estrela Anã Vermelha”

O fato de haver atmosfera não garante necessariamente a existência vida. Seria preciso um estudo detalhado da composição química dessa atmosfera para se tentar identificar sinais de vida.

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