O link abaixo leva à matéria escrita pelo jornalista Rodrigo Monteiro Gonçalves, do jornal O Estado RJ, sobre os 40 anos do Homem na Lua, com participação minha.
Rodrigo me enviou quatro perguntas muito boas que dão uma visão geral do projeto Apollo. Ele abordou em suas perguntas desde a teoria conspiratória a cerca da chegada do homem à Lua, até conhecimentos científicos obtidos com o projeto. Seguem abaixo as perguntas e as respostas.
Rodrigo Gonçalves: 1 – O homem realmente foi à lua? O que o sr. acha destas teorias conspiratórias de que tudo não passou de uma farsa?
Leandro Guedes: Sim, o homem foi realmente à Lua. Recentemente a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter da Agência Espacial Americana fotografou cinco dos seis locais de pouso das missões tripuladas onde se pode ver sinais dos objetos deixados pelos astronautas e até um rastro de pegadas. Isso acaba com qualquer dúvida sobre a veracidade das missões.
As teorias conspiratórias surgiram porque muitas pessoas pensam que ir à Lua é mais complicado do que parece. E existe também uma tendência em muitos homens de subestimar a capacidade da própria humanidade. Muita gente, por exemplo, prefere acreditar que extraterrestres construíram as pirâmides do Egito do que acreditar que os próprios homens daquele tempo conseguiram se superar e criar aquelas maravilhosas construções.
Aos que tinham dúvidas sobre o projeto Apollo, eu sempre sugeri pensar nos satélites artificiais, colocados em órbita pelo homem. Ninguém duvida dos satélites, afinal, ninguém pode duvidar que existe telefone celular, televisão e internet. Podemos até ver alguns desses satélites cruzando o céu, a olho nu, no início da noite. Então, se conseguimos colocar um objeto em órbita, ou seja, se conseguimos tirar algo da atmosfera e controlar sua velocidade e trajetória, ir à Lua não é muito mais complicado.
R.G.: 2 – Por que nunca se programou um retorno à lua?
L.G.: Porque não houve interesse. É preciso entender o projeto Apollo dentro do contexto histórico da Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética estavam em uma corrida frenética para demonstrar superioridade tecnológica. No que diz respeito à corrida espacial, os soviéticos estavam bem à frente. Já tinham colocado o primeiro satélite artificial em órbita, enviado o primeiro animal e depois o primeiro homem para o espaço, por exemplo. Os americanos tinham que dar um salto à frente dos soviéticos, fazer algo que eles ainda não tinham feito. Escolheram levar o homem à Lua. Então, o objetivo foi alcançado, depois disso não havia mais motivos para mandar homens à Lua. As missões espaciais são sempre bastante caras e precisam ser bem justificadas para conseguirem financiamento.
Alguns países que começaram a investir mais em seu programa espacial, como Índia e a China, têm anunciado a possibilidade de enviar astronautas novamente à Lua. Mas, novamente, é uma questão de desenvolvimento tecnológico do país. Ainda não há nenhuma razão exatamente científica para enviar astronautas à Lua atualmente.
R.G.: 3 – A conquista do espaço é fascinante, mas o que a viagem à lua deu de concreto para a astronomia? Foi o maior feito da humanidade?
L.G.: Sim, a conquista do espaço é realmente fascinante. Agora estamos numa outra etapa, a de pensar em Marte. Veja que legal: provavelmente pouco mais de meio século após pisarmos na Lua estaremos pisando em outro planeta!
Bom, eu repito que o objetivo das missões tripuladas não foi científico, mas, obviamente, a Ciência pegou carona. Foram trazidas, por exemplo, centenas de quilos de rochas lunares que puderam ser analisadas em laboratórios aqui na Terra. Além disso, deixaram lá alguns equipamentos como um sismógrafo e um aparelho para medir o fluxo de partículas carregadas (elétrons e íons) próximo à superfície. Para a Astronomia propriamente dita, talvez o mais interessante tenha sido um equipamento que permite medir com boa precisão a distância entre a Terra e a Lua. Pudemos verificar o lentíssimo e gradual afastamento da Lua, que está relacionado com as marés aqui na Terra. Desde que o Homem andou por lá até hoje, a Lua se afastou cerca de um metro e meio de nós.
R.G.: 4 – De que material é feito o satélite e existe a possibilidade de algum microorganismo vivo?
L.G.: superfície é quase toda coberta por uma camada de poeira muito fina que chamamos de regolito. É fácil de notar o regolito na foto de uma pegada deixada pelo astronauta Buzz Aldrin. Dentre os elementos químicos na superfície estão Ferro, Silício e Oxigênio. Praticamente não há atmosfera na Lua, apesar de uma quantidade ínfima de moléculas de gás detectada.
Não se espera encontrar microorganismos vivos na Lua. Devido à ausência de atmosfera, muita radiação incide diretamente sobre a superfície, e também a diferença de temperatura entre o dia e a noite lunares é muito grande, o que nos dá um cenário bastante inóspito. Foram feitos testes para detecção de microorganismos nas amostras trazidas pelos astronautas, mas nada foi encontrado.