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Extinção e Criação Vindas do Espaço

Picos curtos de aios Gama podem ser produzidos quando dois objetos compatos, como estrelas de nêutrons, colidem (Fonte: http://www.scienceinschool.org/print/429)

No que diz respeito a tragédias globais vindas do espaço, o cinema só explorou até agora impactos de asteroides gigantes e invasões de alienígenas malvados. Agora, talvez, uma nova fonte de destruição em massa entre para o repertório hollywoodiano.

Em 2003, cientistas americanos disseram que uma forte emissão de raios gama poderia ter acabado com a vida na Terra há 440 mil anos atrás. Não havia muitas evidências, mas, recentemente, o cientista Wilfried Domainko do Instituto Max Planck de Física Nuclear, na Alemanha, mostrou argumentos que defendem a teoria dos americanos.

Um forte pico de emissão de raios gama acontece durante a explosão de uma supernova, ou quando dois objetos compactos, como estrelas de nêutrons que resultam das supernovas, colidem. Esse segundo mecanismo dura menos de dois segundos e pode acontecer com mais frequência em aglomerados globulares, que possuem muitos pares de estrelas em seu interior.

O aglomerado globular Omega Centauri. Possuem milhões de estrelas e as estrelas mais antigas da Galáxia (http://seds.org/messier/xtra/ngc/n5139.html)

Os aglomerados globulares contêm as estrelas mais antigas da Galáxia. São conjuntos com milhões de estrelas e não se localizam no disco galáctico, onde está o Sol. Mas, como tudo se move no espaço, os aglomerados globulares, eventualmente, cruzam o disco.

Pela quantidade de aglomerados e pela taxa de produção desses picos de emissão de raios gama, Domainko diz que é possível ter acontecido ao menos um evento desses no último bilhão de anos. Domainko lembra também que raios gama, além de poderem produzir extinções em massa, podem também levar a mutações, o que pode provocar o aparecimento de novas espécies. De fato, a evolução da vida na Terra foi afetada por diversos eventos de extinção em massa e também por períodos de rápido desenvolvimento de novas espécies, como no período conhecido como Explosão Cambriana.

Concepção artística da GAIA.

A missão GAIA, programada para ser iniciada em 2013, tem como objetivo mapear a Via-Láctea e fornecer dados que nos permitam conhecer mais sobre a evolução de nossa galáxia. Isso inclui formação e evolução das estrelas, suas velocidades, etc. O possível papel dos raios gama na evolução da vida na Terra pode ser confirmado ou negado com essa missão.

O artigo original de Wilfried Domainko, em inglês, encontra-se nesse link: http://arxiv.org/pdf/1112.1792v1. E a página da missão GAIA, também em inglês, encontra-se nesse: http://sci.esa.int/science-e/www/area/index.cfm?fareaid=26

Bom, caso o cinema comece de fato a utilizar eventos de forte emissão de raios gama para criar emocionantes histórias de fim de mundo, espero que lembre os telespectadores que a possível taxa de eventos desses nas proximidades do Sistema Solar é menor ou igual a um a cada um bilhão de anos.

Alguns links dessa notícia, em português, pela internet:
http://www.tecmundo.com.br/astronomia/17472-estrelas-podem-ter-acabado-com-a-vida-na-terra-ha-440-milhoes-de-anos.htm

http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI5549287-EI301,00-Estrelas+podem+ter+acabado+com+a+vida+na+Terra+ha+mi+de+anos.html

Por Leandro L S Guedes

Astrônomo, Diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, Msc., Dr., Astrofísica Extragaláctica, História e Filosofia da Ciência.