Apesar de ser uma ciência muito nova, o estudo dos meteoritos inicia-se com observações de quedas de “bolas de fogo”, “pedras do céu”, “pedras das estrelas”, “pedras de raio”, relatadas pelas várias culturas nas mais diversas épocas.
Apesar de serem acontecimentos raros, a queda de meteoritos sempre recebeu referências.
Os relatos mais antigos encontram-se nos anais chineses e foram muito bem estudados pelo historiador Homer Dubs, que detalhou o período da Dinastia Han de 89 a.C. a 25 a.C. Neles encontramos várias citações de “pedras do céu” caindo nos mais diversos cantos do Império, associadas a estrondos, ouvidos nas regiões próximas.
Daniel Kirkwood, astrônomo americano, escreveu, em 1873, compilando a partir de várias fontes, uma lista de queda de meteoritos.
O problema maior nesses e em outros relatos é o fato de não poderem ser confirmados, pois apenas 35 diferentes quedas de meteoritos ocorridas antes de 1800 foram preservadas e estão espalhadas pelos museus em todo o mundo.
Os meteoritos serviram também para influenciar inúmeras religiões em vários períodos da humanidade, sendo venerados como presentes dos deuses e amuletos da sorte em guerras.
Uma chuva de meteoritos foi interpretada como mensagem divina pelos sacerdotes romanos quando estavam sob ameaça do general cartaginês Aníbal. Os oráculos profetizaram que a pedra sagrada daria a vitória ao seu possuidor. Com a incumbência de encontrar e trazer a pedra, foi enviada uma expedição às colinas Albanas. Com o sucesso da empreitada, a “pedra divina” foi colocada em um templo e adorada como Cybele, a mãe dos deuses.
Os romanos, acreditando ter os deuses a seu lado, conseguiram derrotar Aníbal pouco tempo depois, estabelecendo seu domínio no Mediterrâneo. Apesar de inúmeras investigações feitas, nunca foi encontrada a “pedra divina” romana, que desapareceu com a destruição do templo durante a decadência do Império Romano.
Acredita-se que um outro meteorito seja adorado até os dias de hoje: a pedra negra de Meca. Relatos anteriores à instalação dos maometanos na região de Meca dizem que a pedra já era cultuada por povos que ali habitavam. Desse modo, os maometanos teriam incorporado à sua cultura, uma crença mais antiga. Infelizmente, mas respeitando a religião e a crença de cada povo, nenhuma análise pode ser feita para comprovar a autenticidade da origem da pedra negra. Assim, ela não consta da lista de meteoritos reconhecidos.
Existe uma citação na Bíblia, que se suspeita tratar-se de um meteorito; encontra-se em Atos (19:35), citando uma “imagem que caiu de Júpiter”, adorado no templo de Cybele, em Efesus.
No Japão, as pedras que caíram em Ogi, Hizen, em 1741, foram adoradas por mais de 150 anos, pois acreditava-se que teriam caído do jardim da deusa Shokuyo, situado às margens do grande rio celeste (Via Láctea).
Os indígenas norte-americanos também cultuavam os meteoritos. As tribos creek e blackfoot peregrinavam anualmente até o Canadá, mais precisamente até uma colina no atual estado de Alberta, onde adoravam a “pedra de Manitu”, que hoje conhecemos como meteorito de Iron Creek. Os comanches também prestavam o mesmo tipo de homenagem, mas a outro meteorito, o de Wichita County, no Texas, para o qual ofereciam tabaco e pontas de flechas.
Vários meteoritos foram encontrados em cemitérios indígenas. Eram tratados de uma forma especial, considerados “cadáveres excelentes”, ou seja, que estavam em um nível superior de existência.
Infelizmente não temos informações de adorações de meteoritos pelos aborígenes brasileiros. Não sabemos se eles realmente não se interessavam pelas pedras vindas do espaço, se a história se perdeu com a destruição provocada pelos colonizadores, que dizimou quase toda a população indígena, ou algum outro fator ocorreu. Apesar disso, arqueólogos e astrônomos, trabalhando em conjunto, conseguiram identificar vários desenhos rupestres, onde se observam fortes conotações astronômicas, indicando uma forte influência dos astros no seu dia-a-dia.