Enxergar uma coisa pequena próximo a uma fonte de luz muito intensa é complicado, porque luz demais ofusca nossa visão. Essa é a situação enfrentada pela Astronomia na tentativa de obter imagens diretas de planetas extrassolares.
Diferente do que acontece com os planetas do Sistema Solar, não podemos enxergar planetas extrassolares com um telescópio diretamente. Mas estamos conseguindo, aos poucos, obter as primeiras imagens desses instigantes e admiráveis mundos novos.
Dentre as primeiras imagens obtidas em 2008, estavam as de três planetas do sistema HR 8799, que voltou a ser modelo fotográfico agora em 2013. Dessa vez, um quarto planeta, o mais próximo da estrela, apareceu nas imagens.

As imagens foram feitas com telescópios em solo, observando no infravermelho. O brilho da estrela foi obscurecido com um coronógrafo, dispositivo inventado na década de 1930 pelo astrônomo francês Bernard Lyot para observações solares. O coronógrafo permite, por exemplo, obscurecer o disco solar e observarmos as deslumbrantes erupções de matéria chamadas flares.
Um dos autores do trabalho que produziu a recente imagem de HR 8799, Ben R. Oppenheimer, do departamento de astrofísica do Museu de História Natural de Nova York, disse: “É como tirar uma única foto do Empire State de um avião que revela um ressalto na calçada do tamanho de uma formiga.”.
A verdadeira importância em se conseguir imagens dos exoplanetas, como também são chamados os planetas extrassolares, é a possibilidade de identificarmos a composição química de sua atmosfera. Isso é fundamental para identificarmos indícios de vida, e estamos cava vez mais perto!
O vídeo abaixo mostra uma animação representando a observação de HR 8799 e alguns dos gráficos que mostram a composição química das atmosferas dos quatro planetas.
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Para ler mais:
JPL/NASA, em inglês: http://www.jpl.nasa.gov/news/news.php?release=2013-157
2 respostas em “Enxergando Planetas Extrassolares – HR 8799”
Video incrível, adoro comparações como esta do ressalto na calçada,
Lembro quando a NASA divulgou dados sobre testes de transmissão de dados via laseres daqui a ISS, que o disparo do laser a captação pela estação era como acertar o buraco de um fio de cabelo especifico na cabeça de uma pessoa a 10 metros de distância (sem contar com os movimentos de rotação e orbita de nossa lua).
Precisão de arrepiar os cabelos… 😀 Isso me lembrou a lamentável Guerra do Golfo (acho que todas as guerras são lamentáveis), em que se falava dos “mísseis com precisão cirúrgica”. Essa questão de aumento de precisão de imagens é um dos grandes desafios da ciência de ponta, e está associada à capacidade de fazermos coisas cada vez menores. O Blue Ray tem maior definição que o DVD porque os dados são gravados num espaço que é lido por ondas mais próxima da extremidade azul do espectro, ou seja, em espaços menores que os dados lidos pelo DVD. Pode-se colocar mais informação num mesmo espaço assim. Provavelmente haverá um limite para esses aumentos de precisão e definição, mas quem dirá qual é esse limite é a nanotecnologia.